segunda-feira, 24 de abril de 2017

2937] Eis o que pensava um "pseudo-colonial" (sic) em Lisboa, em Abril de 1912, que se devia fazer em São Vicente de Cabo Verde


[2936] O Centro Cultural do Mindelo (antiga Alfândega) renova ligação com o seu público

[2935] Em São Vicente, também há agricultura: a feira agrícola do Calhau

[2934] PAM!, PAM!, PAM!, nem pensar, em 1913, em São Vicente...


Escrevemos o seguinte texto há já 10 anos, então com base em dados obtidos no jornal "Futuro de Cabo Verde". Repescámo-lo agora, no âmbito de longa e sistemática pesquisa que estamos a empreender em periódico lisboeta, no qual encontrámos com data de 16 de Setembro de 1913 outra notícia sobre o mesmo assunto - que aqui deixamos, como exemplo da incipiência (mísera indigência, melhor dizendo) do cuidado de Portugal nesta época relativamente a Cabo Verde. Nem um canhãozinho, que vergonha, nem um...

HISTÓRIAS DE MAR (6) - Texto publicado em 23.06.2006, no jornal "Liberal", de Cabo Verde (1.ª série, extinto)
PORTO GRANDE DE S. VICENTE, 1913: A HUMILHANTE FALTA DE CANHÕES PARA SALVAR NAVIOS

Decerto sabe o leitor que este "salvar" do título, referido a navios, nomeadamente os de guerra, tem conotação especial. Quer dizer "saudar" e tem origens bem recuadas. Uma das primeiras marinhas a utilizar a saudação com salvas de artilharia, terá sido a inglesa. De início, apenas sete tiros. Então ainda poucos, devido ao facto de ser difícil recarregar com rapidez as peças de bordo, para desejável repetição. A estes sete disparos sem bala, ripostavam de terra as fortalezas com o triplo – ou seja, vinte e um, número que veio a ser adoptado nos vasos de guerra quando o progresso da indústria de armamento tornou possível maior celeridade no recarregamento dos canhões.

Temos portanto que, ainda hoje, quando um navio de guerra arriba a um porto nacional ou estrangeiro pela primeira vez ou após longa ausência, é hábito fazer essa saudação – que se espera de parte a parte e que, quando não realizada ou correspondida, é estranhada ou mesmo considerada ofensiva. 

E cremos não haver cabo-verdiano que não tenha assistido a esse espectáculo de tiroteio sem animosidade, entre as naves de guerra que demandam portos do arquipélago e a artilharia de costa, sempre empenhada em equivaler em barulho explosivo aos que do mar saúdam os portos nacionais. 

O "Kongo"
Mas nem sempre foi assim. Recuemos a Setembro de 1913 e entremos no Porto Grande de S. Vicente. Dois cruzadores estrangeiros por ali passam e ambos vêem, sob a impassibilidade do Monte Cara, a sua boa educação não ser retribuída de terra. Enfim, os seus governos, o japonês e o alemão, bem tinham sido avisados pelo português de que as nossas peças não estavam grande coisa, que responder a amabilidades navais em Cabo Verde era coisa difícil, praticamente impossível, mais isto e mais aquilo. Ou seja, que a nossa artilharia estava numa completa e desgraçada miséria. Fora mesmo o comando militar local a informar desta falha o corpo consular representado no Mindelo. Mas as comunicações por essa altura também deixavam muito a desejar e a verdade é que o "Kongo" japonês (de que falámos na semana passada) e o alemão "Vineta" ou não sabiam da penúria artilheira portuguesa ou fingiram ignorá-la. E vá de salvar, como exige a ordenança naval. Salva o japona e de terra, nada! Salva o boche e aspas, aspas! E levanta-se entre os forasteiros a suspeita de má vontade por parte das autoridades militares da ilha. Zanga expressa, à vista quase um conflito diplomático.

O "Vineta"
Desde Abril que a situação se prolongava. Tendo sido pedidas novas peças a Lisboa, estas demoravam a chegar, somando-se vexame sobre vexame, de cada vez que um navio de guerra estrangeiro aportava à baía. Salvou a honra do convento o capitão dos portos que se dirigiu a ambos os barcos, para apresentar desculpas pela falha portuguesa. Ao que consta, no alemão elas foram de pronto aceites. Mas no do sol nascente a coisa não foi tão fácil e o pobre oficial teve que colocar todo o seu empenho diplomático para sanar o incidente – aliás, as autoridades locais excederam-se em amabilidades junto do "Kongo" e este acabou por partir com boa impressão da ilha, como também vimos no texto anterior, tendo tudo acabado com visita guiada de homens e senhoras da ilha ao cruzador e um bom chá na câmara do comandante.

Por aqui se vê que, em vésperas da primeira Guerra Mundial, quando todas as potências se preparavam afincadamente para o conflito que já se adivinhava, Portugal não tinha uma mísera peça no melhor porto da sua mais próxima colónia, só uma, ainda que para dar tiros de pólvora seca…

Mas, infelizmente, havia coisas mais prementes em que pensar. Como avançava o "Futuro de Cabo Verde" na mesma altura, "Ameaça-nos uma crise horrorosa. As chuvas até agora ainda não se registaram em S. Vicente e Santo Antão. Ali, ao que parece, já a miséria é enorme. Informam-nos que os trabalhadores emigraram para a Povoação e Ponta do Sol, mendigando (…)". Na realidade, o que era a falta de um canhãozito, ao pé disto?... 

NOTA: O cruzador "Vineta", chefiado pelo comandante Adelung, fora construído nos estaleiros de Kaiserliche Werft, em Danzig, e deitado à água em 1897. 



segunda-feira, 3 de abril de 2017

[2933] Francisco Manso está a rodar a adaptação de "Os Dois Irmãos" de Germano Almeida em Cabo Verde

Quem quer blogue, deve comentar o que se vai colocando!

Publicámos recentemente um conjunto de 12 posts no Pd'B mas, apesar de o blogue ter tido entretanto centenas de visitas, só houve feedback em comentários do Adriano, do Valdemar e do Artur Mendes - o que é manifestamente pouco. Tínhamos agora novos posts, uns muito curiosos, outros de grande qualidade para divulgar, mas não compensa estarmos a perder tempo que é tão necessário a outras actividades nossas, para tão pouca resposta. O lema dos visitantes continua a ser "Visito, porque sei que o que aqui se mostra é interessante, mas não comento porque não estou para isso!". Neste sentido, colocamos hoje apenas um post e retomaremos as actividades quando calhar, isto é, quando para isso tivermos de novo paciência.

"Os Dois Irmãos", novo filme de Francisco Manso, a partir da obra homónima de Germano Almeida
Ver AQUI
Edição portuguesa de Outubro.1995
Edição portuguesa de 2010
Edição italiana
Francisco Manso e Germano Almeida, Trofa, Portugal - Foto Joaquim Saial, Outubro.2014

sábado, 1 de abril de 2017

[2932] Um anúncio de 1912 do estaminé de João Loureiro na baixa lisboeta e Fernando Pessoa... ou mais ou menos...

Do mesmo prédio da baixa lisboeta onde Fernando Pessoa escreveu alguns excertos do "Livro de Desassossego" (ver AQUI), partiam alhos, cebolas, chouriço e paios (entre outros acepipes) para S. Vicente. Só no Praia de Bote (considerado na Europa, África, Ásia, América e Praia de Bote o melhor blogue da... Praia de Bote) se descobrem estas coisas... Queremos uma medalha, queremos uma medalha!!!

Modelo em gesso do "Fernando Pessoa" do escultor Lagoa Henriques colocado frente ao café "Brasileira do Chiado" (esse em bronze), fotografado na Faculdade de Belas Artes de Lisboa por Joaquim Saial




[2931] Ainda mais um post. Que acha o/a caro/a visitante que o nosso amigo Joaquim Feijóo comprava ou queria comprar na Alemanha?


[2930] Qual o posto e a especialidade possível destes dois elementos da Armada portuguesa em passeio no Mindelo?

Sim, já sabemos que se vê mal... Mas há algumas possibilidades de acerto. Algumas... Por outro lado, não temos a certeza do local onde eles se encontram. Praça Nova ou Pracinha d'Igreja? Há ainda alguma possibilidade de haver engano na indicação  que temos (razoavelmente fiável) e ser afinal na Praia, na Praça do Albuquerque.


[2929] A fragata NRP 331 "Álvares Cabral", hoje em S. Vicente, aqui em 2010 no combate aos piratas da Somália (ver post anterior)

[2928] A fragata NRP 331 "Álvares Cabral", hoje ao Mindelo

Ver AQUI (a fragata), AQUI e AQUI
Foto EMGFA

[2927] O Massacre de Batepá, em São Tomé e Príncipe

O nosso colaborador Artur Mendes enviou-nos estas duas imagens sobre o massacre de Batepá (e o que quase aconteceu neste navio) que aqui publicamos, com algumas adendas da Internet. Quem mais souber sobre o assunto, que o diga...



Bernardino Lopes Monteiro e o s filhos

[2926] «One Love» de Sara Tavares será hino da III edição do "Somos Cabo Verde" (ver post anterior, 2924)

Ver AQUI

[2925] «One Love» de Sara Tavares será hino da III edição do "Somos Cabo Verde" (ver post seguinte, 2925)

[2924] Algures na Praia, em 1931, um sport a jogar ténis. Ou será só pose para a foto?


[2923] Sim, é em S. Vicente. Mas não se trata da caravela do Diogo Afonso, pois esta navegava nos anos 60 do século XX, mais ou menos...


[2922] E aí vem mais música, mas agora com o mestre Paulino Vieira... como se fosse Ano Novo...



[2921] Sai música!...



quinta-feira, 30 de março de 2017

[2920] Almada e Praia de Bote, em festa, pois Portugal e Cabo Verde vão reencontra-se mais uma vez nos 138 anos de Mindelo-cidade

Ver AQUI

[2919] Praia de Bote apoia: Cabo Verde na União Europeia, já!

Um primeiro-ministro bem humorado é outra coisa. Ou de como Ulisses Correia tenta lançar a escada à União Europeia. E agora, convenhamos, ele tem razão na sua brincadeira. Essa podia ser a excepção à regra. Açores, Madeira e Canárias estão na UE por direito de ligação a nações do continente. Mas Cabo Verde também é Macaronésia. Porque não, então? Nem que fosse com um estatuto especial, próximo do dos países de direito legítimo. Seja como for, Praia de Bote apoia. Viva Cabo Verde na UE!!! Temos dito!!!
Ver AQUI

segunda-feira, 27 de março de 2017

[2915] "O capacete" e "A tatuagem", de Joaquim Saial, já estão no "Terra Nova" de Cabo Verde

Duas Histórias de Vida e Morte, "O Capacete" e "A Tatuagem", short stories de humor negro, mais de humor que de morte, uma centrada numa roça em São Tomé e outra em sítio indeterminado, também de expressão lusófona. Encontra-as no "Terra Nova", de Cabo Verde. Boa leitura, lhe desejamos...


domingo, 26 de março de 2017

[2914] O "Endeavour" já terá estado no Porto Grande? Dizem que é o mais belo do mundo e está em Cascais

Ver AQUI a notícia (e maximize o filme)

[2913] Eis o que se pode desvendar acerca da foto do post anterior

Ora a foto é do feriado do 1.º de Dezembro de 1944 (calhou a uma sexta-feira, mesmo a jeito para o evento que ali teve lugar). Diz o palpite do Mendes que é o Hospital. Ora o Hospital fica no Lombo e o que temos aqui aconteceu na Ribeira Bote/a, como reza o texto manuscrito no verso da mesma. Está mais ou menos explicado de que se trata. É uma "Lembrança da inauguração da Sala do Soldado do C.A.R. do Regimento de Infantaria 23". Este regimento (de Coimbra) viera de Sul, de outras Áfricas ainda mais africanas, como reza o que retirei do blogue "Momentos de História": 

Quanto à palavra "Soldado", custou-nos decifrá-la, mas veja-se que o "a" de "Sala" é minúsculo, tal como o "o" de "Soldado" (apenas um pontinho, na junção entre o "S" e o "l"). Agora, entra em cena o Adriano que nos irá dizer o que era o C.A.R.

Relativamente ao civil com capacete colonial nas nãos, pareceu-nos o poeta José Lopes, mas com imensas dúvidas, apesar de tudo.

Do cartaz afixado na porta, com quatro palavras sobrepostas, só conseguimos desvendar as primeiras três: C.A.R. / Posto / de /... Terá algo a ver com saúde? Daí as duas senhoras que poderão ser enfermeiras? Posto de enfermagem, em vez de hospital? Mas havia enfermeiras no Mindelo a prestar assistência aos soldados? Eles não tinham o seu próprio médico e enfermeiros militares? Enfim, mistério... A decifração da sigla C.A.R. poderá trazer algumas luzes. E assim, continuamos a mergulhar não na Matiota nem na Baía das Gatas mas na história de São Vicente e do Mindelo...