sábado, 23 de setembro de 2017

[3172] Três textos, para quem gosta de dar palpites

À falta do cúter "Grinalda", mostramos o "Maria Teresa"
Três excertos iniciais de três textos clássicos da literatura cabo-verdiana. Sugerimos aos nossos leitores que os comentem e que apresentem os seus palpites. 

Aproveitamos para informar os ditos que nos estamos a adaptar ao ritmo e número dos comentários que aqui surgem (e que não têm nada a ver com o número dos visitantes, satisfatoriamente vasto, como sempre). Ou seja, poucos comentários, poucos posts e espaçados conforme o ritmo de entrada daqueles. Assim, todos ficamos contentes... De resto, o arquivo aumenta de dia para dia e material de qualidade é coisa que não falta. Mas fica para nós e para outros trabalhos que nos trazem mais retorno... Se o número de comentários aumentar, é claro que o de posts também será incrementado.



domingo, 17 de setembro de 2017

[3171] Era na Junhe d'1918. Bem fête!...


[3170] Vasco Martins em "KM 6", do seu mais recente trabalho "Mei d'Ilha"

[3169] de 1 de Outubro de 1948, sem palavras (nossas) mas com muitas e inteligentes palavras (dele)




[3168] As brisas de Cabo Verde



A fotografia do postalinho é cunchide e até deu capa de "Chiquinho" em edição basca - o que é algo absurdo (para quem conhece o enredo do livro), como se percebe, olhando para a legenda abaixo do burrico... Mas o que interessa desta vez é o que este senhor escrevia para um seu conhecido em Lisboa sobre a noite péssima que passou devido às "brizas (sic) de C. Verde", viajando de São Vicente para Santiago. No entanto, sorte dele, estava bem... Logo, as brisas não foram assim tão más...

[3167] Pequenos nadas...


"AQUI NESTA CASA"... Por acaso poderia ser "ALI NESTA CASA"? Ou seja, o "AQUI" não precisava de estar ali - que é o mesmo que dizer: não faz lá falta nenhuma. Quanto ao "VARIO", é melhor nem falar... Basta olhar para o que lá falta... Não terá sido posto o acento? Terá sido posto e entretanto o dito cujo cambá na tchom? Enfim, pequenos nadas que ninguém emenda e de que ninguém quer saber...


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

[3166] "Poema de Quem Ficou", de Manuel Lopes, por João Villaret. Uma pérola!

Este "Poema de quem ficou" está na página 12 do livro "Crioulo e outros poemas", edição do autor, de 1964, que divulgámos recentemente no Pd'B. Em 1949 Manuel Lopes já publicara um livro com nome semelhante, "Poemas de quem ficou".

[3165] Aquecimento global... mindelense e são-vicentino!

Ver AQUI

[3164] Post 400 de 2017 com notícia condigna

Muito longe ainda dos 500 posts de 2014, dos 600 de 2015 ou dos incríveis 1000 de 2016, Praia de Bote atinge com este o n.º 400 para 2017. Para assinalar as quatro centenas, divulgamos para já as datas das comemorações em Almada dos 70 anos de "Chiquinho" de Baltasar Lopes em livro. 

Assim, teremos a 2 e 16 de Dezembro uma série de palestras não só acerca desta obra mas também sobre as de alguns dos parceiros de nhô Balta nessa aventura claridosa que sulcou durante parte significativa da sua vida intelectual. E até terminaremos com o Sr. Napumoceno da Silva Araújo, esse fantástico e sortudo comerciante de guarda-chuvas... pois de algum modo ele é filho dos claridosos...

Entre as duas datas, teremos em exposição no Fórum Municipal Romeu Correia de Almada 40 livros deste autor e de alguns dos seus colegas de escrita, muitos deles primeiras edições e alguns autografados, de colecção particular.

É o tributo de Almada e de alguns portugueses que admiram a história e a cultura de Cabo Verde (e a partir de ontem também de um cabo-verdiano prestigiado), com a colaboração da edilidade local e da Embaixada de Cabo Verde em Lisboa. Nomes e programa oficial, só os divulgaremos dentro de alguns dias ou semanas.

Até Dezembro, então! Esperamos por vós em Almada! E se não estão prevenidos, sempre vamos informando que na loja dos Herdeiros do Sr. Napumoceno ainda há alguns guarda-chuvas em stock.

[3163] Olha ali um banhista capitalista! PUM!

Ver AQUI a Laginha, Lajinha, Matiota e Che Guevara (do bairro próximo), quatro em uma...

[3162] Lajinha, lá vem uma boa notícia. Esperemos, entretanto, para ver o que dali sai...

[3161] Sim,sim, este ano na Praia. Mas no próximo ano será no Mindelo? E no seguinte, noutra cidade de outra ilha?

É que Cabo Verde tem 10 ilhas e morabeza não há nenhuma que não a tenha... Quanto ao resto, OK, OK, não se faz em Santa Luzia. Mas nas outras, o Pd'B bate-se por isso. E vocês, ilhéus? Ver AQUI

[3160] As difíceis e muito perigosas viagens da chamada "Rota de Cabo Verde", de Cabo Verde para os EUA e vice-versa

Já falámos no Pd'B desta rota e já escrevemos alguns artigos para jornais de Cabo Verde sobre o assunto. Aqui deixamos mais um sinal desses tempos de grandes perigos e muitos naufrágios, neste caso com final feliz, pois a escuna "Mystic" chegou ao destino, em New Bedford, apesar da fome passada pelos seus tripulantes e passageiros em cinco semanas de viagem.


[3159] No Mindelo, a morna aqueceu

[3158] Os Bafana-Bafana transformaram-se em bifana que os Tubarões Azuis trucidaram

[3157] Ser tubarão, arreganhar a dentuça e não ter medo de nada...

Ver AQUI a rota de sucesso dos esqualos das ilhas

terça-feira, 5 de setembro de 2017

[3156] Era o fim da guerra mas ainda não havia gasolina para os isqueiros no Mindelo....

Acontece que o António Miguel de Carvalho, com estaminé de combustíveis em São Vicente, escreveu para Harvey Thomas na Texas Petroleum Company em Nova Iorque. O motivo adivinha-se... Em Maio de 1945, a II Guerra terminara na Europa, estávamos em Junho e era preciso fuel na ilha. Até aí nada de admirar... Mas... e há sempre um mas aqui no Pd'B. O Tony escreveu de São Vicente em dia incerto de Julho (não se consegue divisá-lo em nenhum dos dois carimbos dos correios de São Vicente). A verdade é que a carta chegou a Lisboa a 21 de Julho e foi carimbada nesse dia e no seguinte. O pior, o pior mesmo, é que só chegou ao destino a 3 de Setembro... Entretanto, gasolina d'Cupitania, stava paróde na Cais Nacional, e djip d'pliça fetchóde na garaja d'staçon, ahahahahaha


[3155] Com esta foto, está tudo dito: é São Vicente, é Cabo Verde

Postal ilustrado, edição da Casa do Leão, São Vicente

[3154] uma medalha, na hora da partida...

Não a conhecemos, nunca a vimos. Mas ela existiu mesmo e alguém deve ter ainda algum exemplar da dita. Agradecemos possível e generosa oferta!... Veio a notícia no "Jornal de Serviço" que era distribuído com o "Correio da Manhã" do Rio de Janeiro, em 4 de Março de 1971. As voltas que o Mundo dá... E nós sempre aqui à coca, ta sgrovetá...

[3153] Depois do regresso do José, o regresso do Luís...

Ver AQUI
Interessa a todos os cabo-verdianos e a todos os portugueses. E não só!...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

[3152] O regresso do José Fortes Lopes

Regressou de Cabo Verde o nosso amigo José Fortes Lopes, de merecidas férias e de tarefas cívicas importantes na cidade montecarense que é a menina dos nossos olhos. 

Um braça pa el e votos de bom retorno ao nosso blogue oceânico e à sua universidade, também ela marítima. Já agora... "Sai um pote de ovos moles (da fábrica da Maria da Apresentação Herdeiros), aqui para a mesa do canto!..."

[3151] Mais um poema de Osvaldo Alcântara / Baltasar Lopes

Adequado a este blogue oceânico, tal como o do post anterior, temos aqui mais um belíssimo poema de Osvaldo Alcântara / Baltasar Lopes. Juntamos-lhe foto do "Novas de Alegria", passando assim este post também a ser uma singela homenagem ao Manuel de Novas.


Capitão das ilhas

Morreu hoje o capitão de um navio das ilhas.
Não foi porque ele era bom
e puxava afectuosamente o fumo do seu cigarro
quando falava comigo
que fui ao seu enterro.
Nem tão pouco porque conheci
as tragédias náuticas
que serviram de alicerce ao único poema,
entre flores e caiado de branco,
que ele escreveu nesta vida.
Fui ao seu enterro porque sou caçador de heranças
e queria confessar a minha gratidão
pela riqueza que ele me deixou,
pela sua dimensão desmesurada do mundo
e pela incorporação no veleiro em que todos navegamos.

[3150] Um poema para o Zito que nos deixou há quase sete meses

ZITO, SEMPRE!

O Zito era mais da Rua de Lisboa; eu vadiava sobretudo pela Ponta-de-Praia, base de marinheiros, pescadores, deserdados e patifórios de toda a espécie. Mas o Mindelo é só um e assim podemos juntar o mar da Praia de Bote e a calçada da rua mais cosmopolita da nossa cidade na homenagm que hoje prestamos (por não sabermos se no dia certo teremos oportunidade de o fazer) ao não substituído amigo Zito Azevedo, que a 12 de Fevereiro nos deixou.

Fiquemos com um poema do livro "Cântico da Manhã Futura" (o mais recente a entrar na nossa biblioteca cabo-verdiana), do sempre lembrado e estimado Osvaldo Alcântara / Baltasar Lopes. A grafia é a exacta, nomeadamente os pontos finais seguidos de letra minúscula.

Por outro lado, sabemos que pelo seu especial conteúdo este poema também agradará ao nosso vice-cônsul em Tours...

Rapsódia da Ponta-de-Praia

Sigo o Espiritismo,
vou às sessões do Centro,
bebo água fluídica,
vou às sessões de limpeza.
não vou ficar
avassalado
pelo Astral Inferior.
vou fugir
naquele Grande
ou naquele suíço.
vou ser
chegador,
zeitador,
fogueiro,
criado de bordo
ou taifeiro.
Daqui a seis meses
tocarei no porto
irei
ao Farol do Viajante,
apanharei uma bebedeira
e embarcarei novamente
naquele Grange
ou naquele suíço.
Huve dissidência
no Bloco Original,
havia injustiça
no regulamento,
fundámos o Bloco Oriundo.
o baile do bloco
vai ser
um colosso universal.
Vai haver pancada,
vou brigar com polícia
porque polícia não sabe ainda
que eu sou homem macho.
Vou passar contrabando,
vou ao Porto Novo,
enganarei
os guardas de alfândega,
atravesso o Canal,
desembarco em Salamansa,
e se eu for descoberto
pelos gurdas do Comissarido
vou ter com advogado
para advogar minha sentença.
Vou fazer serenata,
vou tocar violão,
cavaquinho,
farei chocalho
de uma lata
de cigarro inglês,
vou pedir para o Rio,
Ladeira de João Homem,
uma cuíca e um reco-reco,
vou namorar,
vou cantar o samba,
vou revelar
que ela devorou meu coração,
vou ser
advogado no tribunal da tua consciência.
Não vou tirar
licença de alambique,
vou enganar o Governo,
vou fazer mel
e depois
de mel farei aguardente
em potes da Boa Vista.
Se eu for denunciado
o fiscal verá
que os ratos comeram
o lacre do meu alambique.
Vou meter melhoramentos
na minha fazenda,
dou hipoteca à Caixa,
todos os meses haverá desconto
na minha folha.
Vou fazer letra bonita,
vou escrever uma carta
ao Presidente Roosevelt
para ele distratar os meus papéis,
vou trabalhar em Bew Bedford,
vou ser tripulante de light-ship.
Eu vou-me embora,
não vou ficar mais
avassalado naquele Grange
ou naquele suíço.

domingo, 3 de setembro de 2017

[3149] Gente de São Vicente, camponeses (mais camponesas...)

Carimbado em 8 de Novembro de 1911, este postal ilustrado com três camponesas, uma criança de colo e um rapaz pimpão, é quase um ano posterior à implantação da República. Repare-se na dignidade que se desprende desta gente do interior da nossa ilha, na beleza da mulher ao centro e no ar malandro do rapaz, pobre mas bem remendado, embra com fazenda de riscas em calças lisas. Enfim, gente de Soncente de diazá. Foi mandado para Frohmulh, na Alsácia, o postalinho.

[3148] O ilhéu dos Pássaros, o nosso "djéu"

Já aqui o temos divulgado em diversas alturas, sempre que possível com representações diferentes. Ele é muito nosso, dos que nasceram na ilha de São Vicente ou ou a adoptaram (ou por ela foram adoptados). Pilar de ponte imaginária com a ilha irmã Santo Antão, farol que anuncia o anfiteatro do Mindelo, lugar misterioso que todos conhecem mas que quase ninguém visitou, é lugar mítico para os mindelenses, tanto como o Monte Cara. Da nossa longa colecção de imagens sobre o rochedo, escolhemos hoje uma das mais belas - que até nem selamos com marca de água, pois isso seria quase uma blasfémia, pelo que os piratas copistas podem actuar e que se lixe se não disserem de onde rapinaram a cópia...

É peça colorida, da editora alemã C. A. W. Grün, de Hamburgo, lindíssima fotografia feita a partir de barco que segue para Santo Antão, datado o postal de 21 de Junho (Juni em alemão) de 1908, pelo que até pode ser alguns anos anterior. Ao fundo, a nossa ilha, obviamente, tal como se pode ler na indicação postaleira, esta em inglês.

sábado, 2 de setembro de 2017

[3147] Como os posts se engolem uns aos outros com o passar do tempo, repescamos um muito recente que não queremos deixar esquecido ali atrás

Manuel Lopes
Trata-se do post 3143 (ver AQUI) sobre o livro de Manuel Lopes "Crioulo e outros poemas", de 1964, ano em que aqui o Pd'B estava no 1.º ano (63-64) ou no 2.º (64-65) dessa sapientíssima universidade chamada Liceu Gil Eanes. Quem por aquela casa de ciência passou não a esquece e quem ler este livro também não o olvidará. Ficou uma amostra de dois poemas e já não é mau, pois o livrinho está mais que gatchóde nas memórias do tempo e a imagem de capa que ali deixámos é única na Internet (que o saibamos, exceptuando uma minúscula e a preto e branco, de péssima qualidade).

[3146] Depois da boa notícia do post anterior, agora o reverso da medalha

Praia de Bote ficou agoniado com esta notícia, nomeadamente, por motivos óbvios, com a parte referente à cabo-verdiana Lurdes Tavares que reside neste concelho de Almada e aos obstáculos que lhe têm sido impostos para se integrar como cidadã de país irmão no Portugal "padrasto" onde quer viver e trabalhar.
Ver AQUI
Foto Orlando Almeida

[3145] Maria de Assis Almeida Spencer, uma cabo-verdiana interventiva em Almada

Fomos colegas numa licenciatura que ambos acabámos mas da qual nunca me servi, por ter continuado por outros caminhos universitários. Mas a lembrança que dela me ficou foi de grande seriedade e ponderação. Há cerca de dois anos, revi-a e tinha (e continua a ter) alto cargo na Misericórdia de Almada, onde adquiriu fama de fazer trabalho de elevada qualidade. Tem sido vereadora não executiva da Câmara Municipal de Almada, pelo Partido Socialista. E concorre de novo, pelo mesmo partido, nas autárquicas que se avizinham. À colega Maria de Assis (a "Assis" dos nossos tempos de estudantes em pleno eclodir e depois rescaldo do 25 de Abril) Praia de Bote deseja as maiores felicidades, certo de que será elemento interventivo (e útil) na edilidade almadense. Maria de Assis concorre à União de Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas. Ver o seu Facebook, de acesso livre, mesmo para quem não o tem AQUI.


Maria de Assis Spencer, ao centro, na imagem
Maria de Assis Spencer, terceira a contar da direita

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

[3144] Wynton Marsalis toca peças da etiqueta Blue Note Jazz no Lincoln Center Orchestra em 2015

O selo Blue Note (criado em 1939)
O grande Wynton Marsalis no Lincoln Center (Nova Iorque), uma das catedrais do jazz começa da melhor maneira este concerto de 2015 com o "nosso" Horace Silver (de quem ele diz ter sido amigo e que classifica como pessoa de grande humor e dignidade), interpretando o belíssimo standard silveriano "Señor Blues" (ver AQUI).

Ver também AQUI.

Para ouvir, ouvir e ouvir... os primeiros onze minutos e picos e o resto, obviamente! Um luxo!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

[3143] De "Crioulo e outros poemas", de Manuel Lopes (Lisboa, 1964), dois poemas: "Cais" e "Crioulo"

Mais um livro de Manuel Lopes, com dedicatória ao jornalista, ensaísta e crítico literário Álvaro Salema - que só o abriu até à página 33 de 96... A este propósito, ver também post 3133, AQUI.

Ora sendo Manuel Lopes um dos clássicos da literatura cabo-verdiana e um dos nossos preferidos, aqui deixamos dois poemas deste interessantíssimo livro, mais a capa e a dedicatória.

Edição de autor, imagine-se como ele ficou brabo quando viu as gralhas que lá vêm... Ao ponto de colar uma tirinha de papel escrita à máquina no início do livro, com o aviso que abaixo se pode ver.




Cais
p. 9

Nunca parti deste cais
e tenho o mundo na mão!
Para mim nunca é demais
responder sim
cinquenta vezes a cada não.

Por cada barco que e negou
cinquenta partem por mim
e o mar é plano e o céu azul sempre que vou!

Mundo pequeno para quem ficou…



Crioulo
P. 55

Há em ti a chama que arde com inquietação
e o lume íntimo, escondido, dos restolhos
- que é o calor que tem mais duração.
A terra onde nasceste deu-te a coragem e a resignação.
Deu-te a fome nas estiagens dolorosas.
Deu-te a dor para que nela
sofrendo, fosses mais humano.
Deu-te a provar da sua taça o agri-doce da compreensão,
e a humildade que nasce do desengano…

E deu-te esta esperança desenganada
em cada um dos dias que virão
e esta alegria guardada
para a manhã esperada
em vão…