quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

[0189] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (08)

A noite decorreu bem, em cama confortável, e a manhã acordou sorridente e soalheira. O dia parece perfeito para a passeata prevista. Dirijo-me à casa de banho ao fundo do corredor e enfrento a primeira grande decepção em Ribeira Grande – e afinal única, como depois verificarei. Não há palavras para descrever o antro, bem equipado mas incrivelmente imundo pela passagem de hóspedes desconhecedores dos mínimos requisitos civilizacionais. Em bicos de pés, num chão alagado, com a toalha num ombro e um sabonete (meu) na mão esquerda, lavo-me com a outra, em malabarismos que nunca pensei praticar. Barba feita e cara lavada, constituem a reduzida ablução matinal. Impossível tomar duche em tais condições…

Saio do hotel e passo de novo pela igreja matriz que agora fotografo. Alguém abre a porta do templo, para a missa da manhã. Entram os poucos fiéis que já estavam por ali e eu também. Olham-me com curiosidade, mas nenhum me interpela. Daí a pouco entram mais pessoas, algumas das quais encontrara no dia anterior. Minutos após, volto à rua, para continuar a minha volta. O Fony deve estar a chegar. Tem coisas para resolver e o nosso passeio está previsto para a parte da tarde mas combinámos encontrar-nos antes para acertarmos pormenores, pois reservei a manhã para ir a pé a Ponta do Sol.


Foto Joaquim Saial - Igreja de N.ª Sr.ª do Rosário, Ribeira Grande

Antes, ainda vou procurar a casa onde nasceu o reputado químico Roberto Duarte Silva (1837-1889), uma das maiores personalidades científicas que as ilhas cabo-verdianas deram ao mundo. Como a terra é pequena, não demoro a encontrá-la. Mais uma vez verifico que para se ser um grande homem não é necessário nascer em rico palácio. A casa, modestíssima e a precisar de pintura, alberga hoje a Mercearia Cipriano Cruz. Registando a memória do notável ribeiragrandense que passou pela China e por Lisboa e em Paris atingiu raras honrarias, subsiste uma placa indicativa por cima da porta da loja. 


Foto Joaquim Saial - Casa natal de Roberto Duarte Silva, Ribeira Grande

Junto a escola primária próxima, encontro o Fony. Estamos a conversar, quando chega uma senhora, a professora primária D. Isabel, que o conhece. Trocamos impressões sobre a Ribeira Grande e o que eu já vira naquele e no dia anterior. Nisto, ela aponta-me para o pedaço de calçada sobre o qual nos encontramos. Custa-me acreditar no que os meus olhos vêem: um escudo português, em pedra branca, remanescente dos tempos coloniais, incrustado no negro vulcânico do pavimento. A D. Isabel descreve ponto por ponto os sinais do símbolo nacional lusitano. Não me admiro, pois é de uma geração próxima da minha, em que nas escolas do Império os miúdos eram obrigados a ter esse e outros conhecimentos. É famosa, pelo seu ridículo, a situação que obrigava alunos dos confins de Angola ou Moçambique, para não falar dos da Índia, Macau e Timor, a saberem todas as linhas de comboio de Portugal continental… São cerca de dez horas. Despeço-me e dirijo-me para o lado do oceano, para bordejar a ilha pela estrada que leva à Ponta do Sol. Aproveito para fazer fotografias, entre as quais venho a encontrar duas das mais interessantes da campanha de Cabo Verde: a primeira retrata a ravina junto à estrada, por onde passa um homem carregado com lenha e a outra duas crianças que observam uma galinha a correr em velocidade acelerada, sem motivo aparente que o justifique (que não coloco aqui, por motivos óbvios, embora já se tenham passado mais de dez anos). No percurso, ainda perto da cidade e junto ao mar, repetem-se as pocilgas, cada uma com um ou dois porcos. A estrada vai subindo, o ar torna-se cada vez mais puro. Montanhas pela esquerda, sol por cima, Atlântico à direita. A paisagem é perfeita.


Foto Joaquim Saial - Estrada Ribeira Grande / Ponta do Sol

Foto Joaquim Saial - Estrada Ribeira Grande / Ponta do Sol (pocilgas)

Foto Joaquim Saial - Estrada Ribeira Grande / Ponta do Sol (pocilgas)

Foto Joaquim Saial - Estrada Ribeira Grande / Ponta do Sol (ao fundo, a últimas casas de Ribeira Grande)
.CONTINUA

domingo, 22 de janeiro de 2012

[0188] CENTRO HISTÓRICO DA CIDADE DO MINDELO ELEVADO A PATRIMÓNIO NACIONAL DE CABO VERDE




Aleluia, aleluia!!! Milagre, milagre!!!
Finalmente foi feita justiça à urbe do Porto Grande e do Monte Cara! O Centro Histórico da cidade do Mindelo é hoje elevado a Património Nacional de Cabo Verde (e consequentemente a Praia de Bote, também!)




19 Janeiro 2012  (in jornal "A Semana")

O centro histórico de Mindelo é agora património nacional de Cabo Verde, anunciou esta quinta-feira, 19, aos vereadores e presidente da Câmara Municipal de São Vicente, o director desta área do Instituto da Investigação e do Património Culturais, Jair Hamilton.

Com esta classificação a cidade do Mindelo passará a usufruir de um plano de preservação legal e valorização do seu património, que tem interesse histórico, arqueológico, artístico, científico e social, a ser elaborado em conjunto pelo Estado, autarquia e munícipes.

O anúncio ao povo mindelense será feito no domingo, 22, dia do município de São Vicente, por Mário Lúcio Sousa, ministro da Cultura, durante a sessão solene em comemoração dos 550 anos de descobrimento da ilha do Porto Grande.

Além de Mindelo, neste ano também serão classificadas como património nacional a zona do Plateau, na capital Praia, a cidade de Nova Sintra, na ilha Brava, e a Baixa de São Filipe, no Fogo. Classificações que resultam do inventário do património nacional feito em 2011 pelo IIPC.

O momento é de enorme alegria e por isso o PRAIA DE BOTE interrompe a viagem a Santo Antão para as devidas comemorações. Como não podia deixar de ser, regozijamo-nos com esta notícia, esperando que o galardão anunciado constitua de facto início de um novo ciclo de prosperidade da ilha de S. Vicente e afaste de vez o conjunto de malfeitorias que lhe têm sido feitas, nomeadamente na área de lesa-património. Sendo possível que S. Vicente tenha tido miraculosa influência na decisão que já tardava, aqui vai (e no dia em que o mesmo se comemora) uma fotografia da veneranda imagem do santo presente na igreja de N.ª Sr.ª da Luz.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

[0187] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (07)

A iace deixou-me na praça do centro histórico de Ribeira Grande. Passo pelos Correios, por um banco e pelo que dizem ser o maior templo católico de Cabo Verde, a igreja de Nossa Senhora do Rosário. Dentro em pouco estou no Hotel Residencial 5 de Julho (equivalente a uma pensão média portuguesa), um dos dois possíveis, trazido na memória por leitura do “Guia das Ilhas de Cabo Verde”, de Pierre Sorgial. Perto, a Casa Marçal, que me recorda a padaria sanvicentina do mesmo nome, dos meus tempos de miúdo.

Foto Pitt Reitmaier

O hotel parece limpo mas só consigo um quarto no segundo andar, sem casa de banho, o que desde logo me preocupa. À falta de elevador, lá subo vários lanços de escada com o meu saco. Na passagem pelos pisos, não me parece estar num hotel mas em várias habitações privadas. Em salas a dar para os patamares, vê-se gente sentada, em ameno cavaqueio, parecendo estar na própria casa. Uma mulher arranja as unhas a outra, uma terceira penteia-se, miúdos saltitam, um rádio debita uma morna de Tito Paris, em alto som. Cheira a cachupa por todo o lado.

O quarto agrada-me, impecavelmente limpo. A janela dá para o morro ao qual o hotel quase se encosta e por isso a vista que dali se pode observar é fraca. Embora se divise boa parte do enorme rochedo, o espaço dá para uma espécie de saguão. Arrumo a minha bagagem, penduro três camisas mais um par de calças e telefono para casa a dizer que estou bem e que não aumentei o número de esqueletos do Mar de Canal.

Trata-se agora de arranjar algo para comer. No restaurante do hotel a ementa é reduzida, sobretudo a esta hora tardia de quatro da tarde. Mas lá consigo desenterrar um esforçado arroz com atum, o popular "arrozcatum" cabo-verdiano, cujo bom sabor é ampliado pela fome que tenho. Uma Sagres gelada e uma manga, um café e o inevitável grogue da terra completam o repasto. Nunca antes tinha comido fruta e bebido café a aguardente produzidos na mesma terra, no mesmo momento.

Saio para dar uma volta e para me encontrar com o Alexandre. Como se faz tarde, opto por ir logo reencontrar o velho amigo e condiscípulo. É agricultor e a esposa, segundo o Fony me informou, tem loja de venda de produtos gerais, à qual me dirijo. A Teresa está ao balcão. Apresento-me e conto-lhe ao que venho. Surpresa das surpresas, informa-me que o marido não está na ilha mas sim em... Lisboa. Algum tempo antes, ao dirigir-se de mota para a sua propriedade, a imprevista aparição de uma miúda ou mulher (já não sei precisar bem) numa curva do caminho fizera-o cair, após desesperada manobra de mudança de direcção para não a atropelar. Partira uma perna e fora enviado para o Hospital Baptista de Sousa, em S. Vicente. Mas fora infeliz com o tratamento. Na contingência de possível amputação, decidira em desespero de causa ir para Lisboa resolver o problema de saúde. Estava agora no Hospital da CUF, já operado e bem.


Foto Joaquim Saial - Zona da Ribeira da Torre (o edifício rosa é a Escola Secundária Suzete Delgado, inaugurada em 1993; atrás do fotógrafo, o mar)

Não há Alexandre mas há Ribeira Grande. A tarde está amena, embora ventosa, como quase sempre nas ilhas. Joga-se à bola, com grande vivacidade de atletas e público, no campo fronteiro ao Atlântico. Passo pelo pequeno hospital que ostenta o nome de João Morais, santantonense meu médico de infância, com consultório na Rua de Lisboa, em São Vicente, merecida homenagem ao homem bom e sabedor que foi. Percorro a avenida do Luxemburgo, entro na Rua Município de Torres Novas, passo por escolas (a Secundária Suzete Delgado impressiona pela arquitectura moderna e escorreita) e muitas casas novas feitas com dinheiro angariado na emigração, mas também por inúmeros chiqueiros de tchuc que curiosamente não conseguem ensobrar o bom aspecto geral da Ribeira Grande. Os picos das montanhas que enquadram a cidade parecem querer resguardá-la do exterior  a que só o mar mostra dar abertura. Naquele dia, naquela hora, só, sem ninguém com quem conversar, absorvo a beleza do local que me parece um dos mais maravilhosos que já vi. Deambulo pelas ruas até anoitecer. As pessoas olham-me amigáveis mas não estabeleço conversação com ninguém. A magia do local tomou conta de mim e prefiro manter aquela solidão. Tardiamente, entro no restaurante do outro hotel, o Aliança, onde serei único comensal e despacho um pargo assado no forno com batatas como nunca comi antes. O acompanhamento alcoólico, como sempre lusitano, fica a cargo de uma garrafa de Casal Garcia.  Excelente doce de papaia com queijo é agora o remate gastronómico. Ribeira Grande já é o meu segundo paraíso, depois do Mindelo - que esse jamais poderá ser destronado.


Foto Joaquim Saial ( outro aspecto da mesma zona; o edifício verde à direita é o dos Correios)

Fez-se noite. Não se vislumbra ninguém nas ruas. A iluminação eléctrica é escassa. Ainda vou ver o mar, percorrendo parte da seca Ribeira da Torre que nele "desagua". As ondas rebentam nas rochas da praia com grande ímpeto, brilhando com os reflexos provocados pela luz da lua. Regresso ao hotel e deito-me. Amanhã, o Fony virá ter comigo, para darmos uma volta pelos arredores da Ribeira Grande. Falou-me num amigo que nos dará uma volta de jipe por locais próximos, Tanque e Coculi. Tenho curiosidade de ver os sinos da igreja desta última localidade que me disseram serem os maiores de Cabo Verde. Começo a ler um velho número do "Paris Match" esquecido no quarto por outro hóspede mas em breve adormeço.

CONTINUA

domingo, 15 de janeiro de 2012

[0186] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (06)

Foto Joaquim Saial - Chegada a Santo Antão, Porto Novo

Com tanta movimentação, o tempo corre depressa. Santo Antão vai-se agigantando, à medida que os minutos passam e em breve Porto Novo está à vista. No cais, para além de muita gente para receber os familiares, há carrinhas, iaces e alugueres com fartura. O Fony e o filho sobem das profundezas do navio e vêm ter comigo. O nervosismo da chegada é o mesmo de sempre, nestas ocasiões. Eu e um jovem casal de portugueses, aparentemente em lua-de-mel, somos os únicos europeus a desembarcar.

Foto Joaquim Saial - Chegada a Santo Antão, Porto Novo

Como pretendo ficar um dia no Porto Novo, chamo um táxi e sigo com os meus dois companheiros à procura de alojamento para mim. Isto, porque o Fony não me pode dar abrigo, visto a sua casa estar em obras. Deparo no entanto com enorme contratempo. É que a final de um torneio ou campeonato de futebol decorre na cidade e está tudo cheio de jogadores e respectivas comitivas. Resumindo, nem um quarto livre. Em desespero de causa, tomo uma decisão rápida: vou seguir já para Ribeira Grande, onde prevejo fazer uma surpresa ao Alexandre, meu velho amigo e condiscípulo de Liceu Gil Eanes e na volta visitarei então o Porto Novo com mais calma. Dito e feito, regressamos ao cais acostável. Por milagre, ainda lá está a última iace... cheia e pronta a partir. É o Fony quem me salva, pedindo ao condutor um lugar para o amigo português. Assim como assim, a lotação já estava ultrapassada, pois num local para nove estavam uns onze passageiros. Sou por isso o décimo segundo. Vou ao lado de uma mulher que leva dois edredões ao colo e o meu saco tem de ficar no meu, bem comprimido entre a dita e a zona lateral direita do veículo. O banco é o traseiro. Atrás, a maioria da bagagem dos viajantes e uma galinha que passará o tempo a saltar e a cacarejar...

Foto Joaquim Saial - Cais acostável do Porto Novo, Santo Antão. Em fundo, São Vicente, de onde parti.

Foto Joaquim Saial - Pormenor da foto anterior

Vamos pela perigosa estrada de Corda, rasgada na montanha. A paisagem começa mais ou menos desértica mas logo dá lugar a zonas de pinheiros e de outro arvoredo que vislumbro vagamente por entre nevoeiro. A dado passo, olho para a direita e vejo bem abaixo da estrada a cratera de um vulcão (Cova) onde grupos de pessoas praticam agricultura. Encontramo-nos a cerca de 1170 metros de altitude. A via mete medo mas o condutor guia com aparente segurança. Os meus companheiros de viagem vão saindo a pouco e pouco, aqui e além, uns no meio do nada, outros em pequenas povoações que não devem estar registadas em nenhum mapa. Quando chegamos a Ribeira Grande somos já poucos, menos de metade dos que partiram de Porto Novo. Pago os quatrocentos escudos pedidos (à época, cerca de oitocentos portugueses) e vou à procura de sítio para ficar. São cerca de três horas da tarde. 

 CONTINUA

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

[0185] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (05)

Foto Joaquim Saial - Monte Cara
Foto Joaquim Saial - Monte Cara, saída do Porto Grande
Foto Joaquim Saial - Em pleno Mar de Canal, cruzamento com o "N/M "Mar Azul" que vem de Santo Antão
Foto Joaquim Saial - A bordo do N/M "Ribeira de Paul", com o djéu (ilhéu dos Pássaros) em fundo

O "Ribeira de Paul" partiu, finalmente. É bom ver o Monte Cara tão perto, elevação que poderia estar como fotografia num imaginável bilhete de identidade da ilha de S. Vicente. As águas da baía são calmas mas a entrada no Mar de Canal começa a fazer os habituais estragos na cabeça e estômago dos passageiros. Ês tita fcá marióde...

Por precariedade de equilíbrio, não fotografo uma cena que se desenrola durante toda a mais de meia hora de viagem, mas conto-a aqui: um tripulante, de fato de macaco azul, dirige-se pouco depois de sairmos do Porto Grande a um armário existente na coberta, abre-o e começa a retirar baldes pretos de plástico que distribui a quem lhos pede. Mas devido ao movimento das ondas, o "Ribeira de Paul" balouça assustadoramente e por isso o pobre homem, para evitar queda fatal, é obrigado a deslocar-se de rastos. De rastos leva os baldes aos passageiros e do mesmo modo regressa ao armário para buscar mais. Há quem não resista e se vomite antes da chegada do recipiente. Alguns, mais prevenidos, trouxeram sacos de plástico e servem-se deles. Até vejo sacos de papel da TAP e dos TACV, em algumas mãos. Tresanda o cheiro a vómito e tanto este como os sons dos arrancos estomacais se infiltram em nós... Muita cachupa de pequeno-almoço foi parar ao convés e ao mar. Haverá ilustração melhor dos efeitos destas águas em quem se aventura nelas? Inevitavelmente, lembro-me da morna do Bana: "Mar de canal, bô é carambolento".

Vou do lado de bombordo e de repente vejo o "Mar Azul" que volta do Porto Novo e será o meu transporte de regresso. A estibordo, surge, aqui gigantesco, o djéu. Todos os olhares se viram para lá, menos os dos que estão com as cabeças debruçadas sobre os baldes ou os sacos. Eu, impávido e sereno, porque me soube prevenir com o comprimido salvador, mas em equilíbrio instável que não me permite fazer mais fotos do ilhéu dos Pássaros, delicio-me a observar o monólito mais querido do povo sanvicentino. O barco saltita sem parar e todos nos agarramos ao suporte mais próximo. Pode ser que no regresso haja menos vagas. O drama só é amenizado por cardumes (ou serão  bandos?) de peixes-voadores que nos acompanham durante quase todo o percurso, em maravilhosos bailados.

CONTINUA

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

[0184] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (04)


Foto Joaquim Saial - Os últimos passageiros, as últimas mercadorias

Foto Joaquim Saial - O N/M "Ribeira de Paul"

Está na hora. Os passageiros tiveram autorização para subir a prancha e eu vou tentar um espaço na coberta superior, onde há melhor visibilidade para os olhos e para a objectiva da máquina fotográfica. Preciso ver desaparecer o Mindelo e depois São Vicente, como três décadas antes, na minha primeira "hora di bai". Só que dessa vez, na longínqua tarde de 24 de Dezembro de 1965, o "Quanza" partira para Leste primeiro, para depois singrar quase para Nordeste, em direcção à Europa. Agora, o rumo é mais ou menos o de NNO. Mas a saída da concha do Porto Grande decerto será muito semelhante.


O "Ribeira de Paul" parece em forma e à primeira vista oferece boas condições de segurança. Pequeno, mas possante, é o "Carvalho" do presente. Cavalga diariamente as velhacas ondas do Mar de Canal, ponte a fuel que liga as duas ilhas, bem como o seu companheiro "Mar Azul".


Carregam-se as derradeiras mercadorias, chegam os últimos passageiros. A partida está eminente. O Fony chegou com o filho, mas o rapaz prefere ir em baixo e por isso viajaremos separados. Eles mergulham nas profundezas do navio, eu vou para cima, em contida expectativa.

 CONTINUA

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

[0183] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (03)

Foto Joaquim Saial - Cais acostável do Porto Grande

O bulício no cais é agora mais que muito. Os passageiros vão chegando, sós e a pé, como eu, ou acompanhados de familiares e amigos, em alugueres, "iaces" (as populares Toyota Hiace) ou automóveis privados. Antes de entrar para o n/m "Ribeira de Paul", engulo o Vomidrine que me habilitará a uma viagem desejavelmente calma através do temível Mar de Canal, "oceano" de muitas lendas e medos, povoado de peixes voadores e navios naufragados.

 CONTINUA

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

[0182] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (02)

Foto Joaquim Saial - Cais acostável do Porto Grande

Continuo sentado, à espera da hora da partida para Santo Antão. Passam mulheres, chegam passageiros que me farão companhia na viagem, vou vendo, vou observando, vou fotografando. À minha frente, os "alugueres", as carrinhas de caixa aberta com um banco no sentido do comprimento (frente e costas ou costas e frente, como se preferir...) que se vão enchendo e depois partem, assim que a lotação estiver completa. Desta feita, pelo contrário, chegam cheios ao cais acostável e regressam à morada vazios. 

A maior parte dos passageiros é constituída por emigrantes que vieram do Luxemburgo, passar férias à terra. Porto Novo, Ribeira Grande e Ponta do Sol têm muitos cidadãos a trabalhar nesse micro-país europeu. Chegam carregados com a sua bagagem, onde se impõem os edredões e as aparelhagens estereofónicas. Perguntei depois ao Fony para que querem tantos edredões em terra de calor e ele disse-me que é apenas por serem bonitos e assim decorarem bem os quartos de dormir...

Os "alugueres" têm quase todos uma banda horizontal colada no topo dos pára-brisas, com indicação do Stand Barata de Portugal. Portugal sempre presente, na nação irmã. Sinto-me em casa - ou melhor dizendo, sinto-me tão bem ali, como em casa. Ou talvez ainda melhor: esta também é a minha casa...

 CONTINUA

domingo, 8 de janeiro de 2012

[0181] VIAGEM A SANTO ANTÃO - 23-25.Julho.1999 (01)


Aqui o guarda da PRAIA DE BOTE vai dar um salto a Santo Antão. Parte do cais acostável de S. Vicente, demora-se pouco, atraca ao do Porto Novo e volta logo, cheio de saudades de São Vicente que a ilha irmã não consegue atenuar, apesar da sua fascinante beleza e simpatia das gentes locais. Os pouco mais de dois dias são intensos, embora só dando para conhecer o Porto Novo, a estrada de Corda, a Ribeira Grande, Ponta do Sol, Tanque e Coculi. Nada mau, para tão escasso tempo.

O objectivo da visita, para além do encontro com a ilha verde (pelo menos bastante verde ou mais verde que muitas outras...) é conhecer a residência e a família de um velho amigo e antigo explicador de Francês (depois de ter estado com ele na sua antiga mas bem conservada casa de solteiro do mindelense  Monte Sossego com a mãe e uma irmã, onde o PB entrara pela última vez 35 anos antes) e encontrar um condiscípulo e grande amigo do Liceu Gil Eanes que tal como aquele, agora vive em Santo Antão.

Feitas as explicações preliminares, vamos às muitas fotos da campanha santantonense e à reportagem do acontecimento, mais ou menos explicado com recurso à memória e a um ou outro apontamento redigido na hora.

Foto Joaquim Saial - Zona próxima do cais acostável do Porto Grande

A partida para o Porto Novo de Santo Antão tem lugar na parte da manhã. Bilhetes comprados cedo, resta-me esperar pelo momento da largada e pelo meu amigo e antigo explicador de Francês, Afonso Henrique Alves - daqui para a frente sempre tratado pelo seu nominha de Fony - que há-de chegar vindo do Hospital Baptista de Sousa, onde foi a consulta com o filho adolescente.

Enquanto a hora não chega, há que descansar sentado ali mesmo no chão, perto da barraca dos bilhetes, e aproveitar para tirar mais uma fotografia. Por mero acaso, só descoberto aquando da revelação da foto, a velha Capitania fica na chapa entre as duas mulheres que assim a acariciam, coisa que ela sempre mereceu, honesta casa de marinha e hoje em busca de destino para "talvez" museu, "talvez" outra coisa qualquer...

 CONTINUA

sábado, 7 de janeiro de 2012

[0180] Mais dez minutos de sodade num dos melhores filmes sobre o "Dia de Cesária"

[0179] Divertido texto de Zito Azevedo

O ENGATE…

Zito Azevedo
Estava frio em Lisboa, nesse Outono de 1956, enquanto eu e mais uma mão-cheia de amigos aguardávamos ordem de embarque para Luanda, todos futuros Aspirantes do Quadro Administrativo de Angola, todos oriundos de Cabo Verde, principalmente de S. Vicente e da Praia… Lembro, além dos meus fieis companheiros na viagem desde o Porto Grande a bordo do “Ganda” (Dick Ferro e Adriano Lima), do Caldeira Marques, do Serra, do Lúcio e muitos outros pois, ao que recordo, éramos uns dezasseis, ao todo.

Os que tinham chegado antes de nós deram-nos algumas dicas sobre como tratar das coisas no ministério do Ultramar ou seja, não devíamos levar de uma só vez todos os documentos que nos eram exigidos, como declarações, estampilhas fiscais, certificados, etc., mas, apenas, uma parte. O funcionário do ministério dava-nos um raspanete e concedia mais dez dias para entregarmos os documentos em falta. A gente desculpava-se com a nossa ignorância, devida a falhas de informação, e dez dias depois lá íamos com mais alguns papeis… Bem, quando, finalmente, embarcámos em Lisboa para uma viagem de cerca de doze dias que nos havia de levar até S. Paulo de Luanda, tinham já passado trinta dias desde a nossa chegada de Cabo Verde…


Claro que isso deu-nos tempo para calcorrear Lisboa de lés-a-lés, ir à Casa das Fardas comprar calças, calções, camisas, boné, tudo em caqui, verde garrafa, meias altas,  botins castanhos e uma espécie de crachás de metal amarelo com as quinas pintadas a azul, que se fixavam às pontas dos colarinhos e eram o pormenor que nos identificava profissionalmente. Eu, que tinha perdido toda a minha melhor roupinha, num desagradável incidente no Porto da Praia (Santiago), fiz uma peregrinação à Avenida Almirante Reis que era, na altura, a Babel das compras, de onde regressei de calças de feltro cinzento clarinho e um casaco bem quente cor de tijolo. Era o conjunto da moda, como hoje acontece com as calças cinza e os “blazers” azuis.

Nós, os três que tínhamos viajado juntos, víamo-nos todos os dias e era rara a noite que não íamos beber umas cervejitas ao “Bolero”, um bar-dançante, “cabaret” ou como lhe queiram chamar. O “Bolero” ficava (e parece que ainda fica…) ali no começo da Rua da Palma, que sempre teve má fama, vá-se lá saber porquê. Era um sítio acolhedor, o consumo mínimo era uma cerveja que já não me lembro quanto custava, e tinha um conjunto musical com uma pinta especial: era um saxofonista, que também tocava clarinete, um acordeonista e um baterista; eram três, dos quais, dois, eram cegos… Nos intervalos das suas actuações, dava gosto ver o cuidado com que o baterista, o único que via, guiava os seus companheiros para fora do palco, diligentemente os acomodava a uma mesa onde três cervejinhas frescas os aguardavam e onde entabulavam animada conversa. Durante estes intervalos, contudo, o baile continuava, graças às músicas de uma “jukebox” bastante gasta, estrategicamente colocada a meio da maior parede do salão. Há coisas que a gente jamais esquece, por muitos anos que passem e o que se passou quando faltavam cinco dias para embarcarmos para Luanda certa noite, no “Bolero” é disso paradigma.

Dizia-se à boca pequena que o “Bolero” era um lugar de “engate”, que por vezes se viam uns parzinhos saírem sorrateiramente, fazendo os possíveis e os impossíveis para parecerem invisíveis e que umas vezes não regressavam e outras voltavam parecendo  pouco à-vontade. Claro que nós não dávamos grande importância às más-línguas: a nossa intenção era passar umas horas divertidas, dar uns pezinhos de dança, beber umas cervejas, ocasionalmente um “whisky” baptizado, comer uma tapas… Nessa noite, os músicos descansavam e a máquina tocava – tenho a certeza - “No Man Is An’Island” e o Adriano dançava com uma moça cuja cabeça lhe dava pelo ombro,  de corpo bem feito moldado por um vestido de malha cinzento, sapatos pretos e cabelo solto. Dançava bem, a moça, embora coxeasse levemente, com a perna esquerda. Passou-se um  minuto, dois minutos e a cabeça do Adriano emergia acima da turba dançante, lá no fundo da sala quando ouvimos a exclamação disparada pelo vozeirão do nosso companheiro e que nos gelou o sangue: “O QUÊ? QUINHENTOS PAUS?”

Em menos de um fósforo, o Adriano atravessou a sala e saiu porta fora. Ficámos três dias sem o ver!

Zito Azevedo
Queluz, 3 de Janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

[0178] Mais um texto do nosso colaborador Adriano Miranda Lima

DE UM DOCE OLHAR DE MEL E CANELA

Adriano Miranda Lima
Tenho por hábito frequentar, num certo centro comercial de Lisboa, um desses quiosques/esplanadas onde se toma qualquer coisa para entreter o estômago quando se está em trânsito. A minha ementa dilecta é invariavelmente um café e um pastel de nata. Sucede que o café ali servido é o da minha marca preferida e o pastel de nata é de muito boa qualidade, nada ficando a dever aos celebérrimos de Belém, o que configura razão bastante para eu preferir sempre essa esplanada. Resta dizer que nunca me dispenso de regar o pastel com boas doses de canela, sobretudo depois de saber dos benefícios dessa especiaria para a saúde humana. Ainda mais quando acredito nas vantagens da ligação simbiótica entre a canela e o mel, preferindo pensar que seja este e não o açúcar vulgar o ingrediente da receita da dita cuja.

Há dias, numa dessas minhas incursões, vi que uma das empregadas que ali servem tem iniludivelmente o fenótipo cabo-verdiano, mais propriamente o da ilha de Santiago. O leitor tem o direito de duvidar da gabarolice do meu “olho antropológico” nestas lides de distinção classificativa, mas eu explico. Tenho realmente certa facilidade em identificar a ilha de origem da maior parte dos nossos conterrâneos, e raramente me engano. E se é patchê (1), badio (2), sueco (3), mindelense ou foguense, normalmente acerto. Independentemente da cor da pele, dos traços fisionómicos ou do tipo de sotaque crioulo que preside à expressão oral em português, há qualquer coisa no olhar, na postura, na expressão ou nos gestos que denuncia fatalmente a ilha de origem perante quem seja razoavelmente arguto na observação. No entanto, penso que qualquer patrício pode gabar-se do mesmo.

Quanto à empregada, que deve andar pelos vinte e poucos anos, tenho a quase a certeza de que é badia. Num primeiro impulso, estive para lhe perguntar, mas depois contive-me para não ser mal interpretado, ainda que eu pudesse acompanhar a pergunta com o cauteloso esclarecimento de que também sou filho das ilhas e me é sempre grato abordar e ter dois dedos de conversa com um patrício, seja macho ou fêmea. Claro  que, no último caso, pode correr-se  sempre o risco de provocar uma reacção silenciosa  do género: "Mas que quer o gajo?"

Tipos de mulheres de S. Vicente (retratando empregadas domésticas de cerca de 1920/30)

A cor da pele da moça é daquele castanho, a descambar para o escuro, típico da média da população da nossa terra, as feições são harmoniosas, podendo dizer-se que se trata de um rosto discretamente bonito e apelativo dentro do seu tipo étnico. Mas o que ressalta na fisionomia dessa jovem, iluminando-lhe todos os traços, é a expressão doce do olhar. Os olhos não são muito grandes mas possuem uma dessas características peculiares que são indescritíveis, como o é tudo o que transcende a visão empírica da realidade física. Em sintonia com o olhar calmo e meigo, mas discreto como tudo o que é natural, concorrem ainda em abono dela a simpatia, a correcção de maneiras e a presteza com que atende os clientes. Mas tudo isso sem poses artificiais ou atitudes preconcebidas para impressionar quem quer que seja. À falta de outra epítome classificativa, e incapaz de encontrar o termo comparativo mais condizente, direi que os olhos dela são uma síntese perfeita entre a doçura do mel e o aroma da canela, ingredientes do meio natural que misturados resultam em algo de encantatório para os sentidos e benéfico para a saúde.

Os olhos são, efectivamente,  emanação da sua alma limpa, bela e transparente. E se alguma dúvida pudesse ter, atente-se no que se segue. Ia eu, momentos depois, a subir uma escada rolante do centro comercial e ela seguia uns três lanços à frente. Foi simples coincidência, que isso fique claro para o leitor não me julgar um vulgar Don Juan ou patético galifão atrás de jovens raparigas, coisa que, aliás, nunca foi do meu estilo e nem se coadunaria agora com a idade que tenho. Ora, dizia eu, ia na escada rolante quando reparei que a moça estava a conversar ao telefone. Terminada a conversa, não sei se com os pais, se com o seu “cretcheu” ou até com um filho, ela beijou suavemente o aparelho e olhou para o lado mostrando uma ternura a transbordar-lhe o olhar de mel e canela.

Perguntará agora o leitor como posso afirmar de ginjeira que ela é mesmo badia. Por que não mindelense ou de outra ilha? Bem, é que acho que a badia tem uma natureza em si mesma mais contida do que, por exemplo, a mindelense, um misto de comedimento e timidez, o que não quer dizer que algo em latência não possa reagir efusivamente a um qualquer estímulo. Acho que a mindelense tem os sentidos mais expostos, mais atentos às solicitações exteriores. Avançaria, para fundamentar a minha avaliação,  com um juízo que pode estar errado ou não. Apesar da idiossincrasia cabo-verdiana ser transversal aos povos de todas as ilhas, na natureza humana da badia está ainda presente uma certa imanência da mãe África, ao passo que na natureza da mindelense  reside um sortido de influências  que podem ter esbatido um pouco o que a herança africana tem de mistério e sedução. Em suma, a miscigenação não se operou tanto na alma da badia como aconteceu na da mindelense, daí que possa residir naqueles olhos o que a África tem de mais puro e de mais sublime.

Adriano Miranda Lima
 Tomar, 4 de Janeiro de 2012


(1) Natural da ilha de S. Nicolau
(2) Natural da ilha de Santiago
(3) Natural da ilha de Santo Antão

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

[0177] "Mindelo e Porto Grande", poema de Valdemar Pereira

Valdemar Pereira
Porto Grande, a bela concha orlada pelo anfiteatro da cidade do Mindelo e montanhas circundantes em que avulta o Monte Cara, sempre foi motivo de inspiração de poetas e músicos da nossa cidade. Lá longe, na diáspora, em terras gaulesas, o nosso colaborador Valdemar Pereira não foge a essa sina (nem quer fugir), talvez com uma garrafa de Bordeaux por perto, comedidamente bebida (como sabe melhor)... à falta de um grogue di terra mais animador em momentos de escrita.

Praia de Bote agradece ao autor e amigo e oferece o petisco aos seus banhistas, em mais um tempo de sodade de nôs Mindelo e de nôs Porto Grande.




Mindelo e Porto Grande

O mar do Porto é belo com seu reflexo azul
sobre a água o fulgor de uma incrível cor anil
onde o ilhéu dos Pássaros, rochedo cinzento,
salta misteriosamente ampliando o momento
onde as almas, sem palavras, com harmonia
se encontram para um deleite dessa sinfonia
do Mar Eterno sem fundo sem fim d'Eugénio
ilustre e perene, já que foi egrégio e génio.

Infinitamente presente, a ventania lancinante
conta os estrofes duma Morna emocionante
com suas palavras de alegria ou melancolia
ou mesmo qualquer outra singular melodia
enquanto apreciamos o divino Monte Cara
e Porto Grande, que já não é o de outrora
com paquetes, veleiros e barcos de carga
onde havia azáfama dia e noite até aurora.

Enquanto seus poetas escreviam os versos
e os pintores criavam painéis mais diversos
o povo tinha seus sucessos e seus reversos
momentos de algum júbilo e muita tristeza.
Havia certamente uma escondida pobreza
mas, no fundo, dissecado, digo de certeza,
embora as alturas de fome e de gravidade
que houve no Mindelo e no Porto Grande
tivemos gente de coragem e de dignidade.

[0176] Nova embaixadora de Cabo Verde em Portugal - Notícia e foto do site da embaixada

A economista Madalena Neves, ex-ministra do Trabalho, Família e Solidariedade Social, é a nova embaixadora de Cabo Verde em Portugal, adiantou o chefe do Governo. José Maria Neves anunciou o nome da nova embaixadora em Lisboa numa entrevista à Televisão Independente de Cabo Verde (Tiver), transmitida na quinta-feira a noite.

Na mesma entrevista Neves garantiu que o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, deu o seu consentimento para a nomeação de Madalena Neves e que as autoridades portuguesas já concederam o seu aval à nova diplomata cabo-verdiana.

O Chefe do Governo anunciou também que, até finais de janeiro de 2012, serão conhecidos os novos embaixadores de Cabo Verde em Espanha, França e Alemanha.

Formada em Economia na Ex-URSS, Madalena Neves chefiou nos últimos dez anos vários ministérios dos governos de José Maria Neves, tendo estado até março deste ano como ministra do Trabalho, Família e Solidariedade Social.

Cabo Verde estava sem embaixador em Portugal desde o início do ano, quando Arnaldo Andrade, que ocupava o posto, foi eleito deputado, a 06 de fevereiro de 2011, pelo círculo da Europa na lista do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

O PRAIA DE BOTE deseja à novel representante dos interesses de Cabo Verde em Portugal os maiores sucessos, a bem da estimada comunidade cabo-verdiana a residir e a trabalhar neste país.

domingo, 1 de janeiro de 2012

[0175] No início do novo ano

Foto Narciso Silva - Banda Municipal de S. Vicente (clique para ampliar)

Neste dia 1 de Janeiro de 2012, o PRAIA DE BOTE renova-se "na continuidade", com nova folha de rosto e mais espaço para as fotos que numa primeira abordagem já não precisarão de ser ampliadas (excepto se o visitante desejar ver pormenores). Era o mínimo que se podia fazer a quem em menos de um ano nos ofereceu mais de 18 000 cliques...

E, oferta por oferta, aqui vai uma foto que já divulgámos noutras circunstâncias mas que merece carinho especial, nesta data também especial, de abertura do ano. A Banda Municipal de S. Vicente a tocar no mesmo dia de 1964 (tempo de nhô Reis ta dirigile) as Boas Festas ao Patrão-mór da Capitania dos Portos, na Rua de Praia ou Avenida da República, como a artéria verdadeiramente se chama e se pode ver na placa aparafusada na parede do quintalão de Vascónia da antiga Ferro & Companhia, sob anúncio da cerveja angolana Cuca. No fim, uma nota de 20 paus recompensou a atenção da banda para com a autoridade marítima... e bem merecida a nota foi!

Abraço para todos os banhistas da PRAIA DE BOTE e continuação de bom ano.

Djack d'Captania