sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

[0723] Fotografias da viagem do Presidente da República de Portugal, António Óscar de Fragoso Carmona, a África em 1939 (mostram-se aqui as da passagem por São Vicente)

Solicitam-se comentários da habitual intelligentsia do Pd'B sobre algo que parece estranho e ao fim e ao cabo assaz curioso em algumas das fotografias... E mais não dizemos!

Álbum de textos e imagens referentes à viagem
Diário de Lisboa - 23.06.1939
O "Colonial" - Foto blogue "Companhia de Moçambique"
Outra imagem do "Colonial" - Foto blogue "Macau Antigo"

Navios da Armada "Bartolomeu Dias" e "Afonso de Albuquerque" (o que foi afundado aquando da invasão do Estado da Ìndia) salvando São Vicente
Carmona passa revista a uma formação de marinheiros dos navios de guerra que o acompanhavam
Na Rua de Lisboa, a caminho da Câmara Municipal
Povo reunido frente à Câmara Municipal de São Vicente
Mulheres do Mindelo

[0722] Notícias da Ribeira Grande de Santiago - Vitor Ramalho, secretário-geral da UCCLA, novo Cidadão Honorário da Cidade Velha e homenagem ao pregador português Padre António Vieira

O secretário-geral da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA), Vítor Ramalho, recebeu hoje o título de Cidadão Honorário da Cidade Velha no Convento de São Francisco da Ribeira Grande de Santiago. A atribuição do honroso galardão foi decidida pelo executivo da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago (membro efectivo da UCCLA).

Vítor Ramalho descerrou uma placa comemorativa da passagem do Padre António Vieira pela Ribeira Grandede Santiago - Cidade Velha. Esta placa, oferta da Uccla a pedido da autarquia, será oportunamente colocada na fachada da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Grandes ou do Rosário dos Pretos. Eis algumas fotos de ambos os acontecimentos:

Vitor Ramalho recebendo o diploma de Cidadão Honorário da Cidade Velha
Durante o almoço, no Hotel Limeira

Com o Presidente da CMRG, Dr. Manuel Monteiro de Pina

O Presidente da CMRG e o novo Cidadão Honorário da Ribeira Grande de Santiago descerrando a placa de homenagem ao grande pregador português Padre António Vieira


Nuno Rebocho, assessor do Presidente da CMRG, explica o significado de epitáfio em pedra tumular

[0721] Em breve, saborosíssimas e esquecidas fotografias de 1939 do Porto Grande e do Mindelo. Apenas uma, por agora, para despertar o apetite...


[0720] Notícias de Cabo Verde - A guerra de Cabo Verde contra a droga

Ver AQUI

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

[0719] O berço da Nação tem sempre um lugar especial no Praia de Bote. No Dia do Município, amanhã, entre outras actividades, divulgação do novo site da CMRG

Foto site CMRG
Com a presença de S. Exª o senhor Primeiro-Ministro, Dr. José Maria Neves, e do Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Dr. Manuel Monteiro de Pina, decorre amanhã, sexta-feira, dia 31 de Janeiro, no Convento de S. Francisco, Cidade Velha, a partir das 10h00, a sessão solene do Dia do Município, sob presidência do Presidente da Assembleia Municipal de Ribeira Grande de Santiago, Dr. Domingos Veiga Mendes.

Durante este importante ato, serão distinguidos com o diploma de Cidadão Honorário de Cidade Velha o Secretário-Geral da UCCLA (União das Cidades Capitais da Lusofonia), Dr. Victor Ramalho, e com os diplomas de Cidadãos de Mérito do Município os senhores José Rocha Santos (José Espanhol), Fausto Nunes Barbosa e Luísa Ferreira Gonçalves.

Para assinalar a data, será publicamente divulgado o novo jornal municipal (de edição bimestral) “Construir Ribeira Grande” e apresentado por Dr. Flávio Semedo o site da CMRGS, hospedado em www.cmrgs.com, que representa um passo dado na intercomunicação na Câmara Municipal, que passa a dispor  - a partir de agora - de um e.mail (cmrgs@gmail.com), de um facebook (Câmara Municipal RGS), de um blogue (CIDADE VELHA 1462, http//cidadevelha1462.blogspot.pt), iniciativa de um amigo de Cidade Velha, Dr. Joaquim Saial, e de You Tube. Ou seja, a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago passa a contar com um sistema de comunicação moderno apto a servir em qualquer circunstância.

Da parte de tarde, a partir das 15h30, depois do almoço oficial no Hotel Limeira de Cidade Velha para celebração da data, é descerrada uma lápide evocativa da presença nesta cidade do Padre António Vieira (importante missionário jesuíta português do séc. XVIII), oferta da UCCLA, junto da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. 

[0718] Aviões "atacam" em Cabo Verde, na Praia e em São Vicente... em Outubro de 1958



[0717] Li na Lisboa também tem Soncente

[0716] Ainda sobre Djuta Ben David... Ver igualmente recente post 714

Ver AQUI reportagem de 2009

[0715] Janeiro forte, no Pd'B: quase 7500 visualizações


[0714] Migrada nos Açores, Djuta Ben David regressa a Cabo Verde


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

[0713] "Prémio Literário Pedro Silva" - (Ribeira Grande de Santiago) Regulamento

Sublinhando a edificação da futura Biblioteca Municipal Dr. Pedro Silva (cuja construção se começa em S. Martinho Grande, onde provisoriamente vai ser instalada), foi criado o "Prémio Literário Pedro Silva", com vista a divulgar a literatura cabo-verdiana e incentivar o gosto pela escrita e pela leitura. 
Neste sentido, foi aprovado o seu Regulamento, que se divulga:

Regulamento do "Prémio Literário Pedro Silva"

Introdução

Subjacentes à criação deste Prémio Literário estão três motivações fundamentais: em primeiro lugar, a divulgação da literatura cabo-verdiana, a referência ao escritor e patrono da Biblioteca Municipal, Pedro Silva, e a vontade de incentivar o gosto pela escrita e pela leitura. 

Artigo 1.º
O Município de Ribeira Grande de Santiago, com sede em Cidade Velha, institui o Prémio Literário Pedro Silva, destinado a nascidos e residentes em Cabo Verde, e que será realizado por uma (1) única vez.

Artigo 2.º
O Prémio Literário Pedro Silva tem como âmbito o premiar um trabalho inédito na área literária definida como Ficção/Conto. O prémio será a publicação em formato impresso (livro) nas publicações euidito . Os segundo e terceiro classificados receberão uma Menção Honrosa. Tanto o lançamento da obra vencedora, quanto a entrega das menções honrosas, acontecerão no mesmo dia, a marcar em 2014, depois da inauguração da Biblioteca.

Artigo 3.º
Podem concorrer todos os naturais ou residentes em Cabo Verde.

Artigo 4.º
Cada concorrente poderá apresentar um máximo de uma obra original, tendo de obedecer aos seguintes parâmetros:
* Redigido em língua portuguesa; 
* Máximo de 125 páginas de formato A4, com espaço duplo entrelinhas e tamanho 12 no corpo da letra, sendo a opção o Times New Roman;
* Os originais deverão ser enviados, sob pseudónimo, por correio registado para: (INSERIR MORADA DA Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago); 
* Os originais devem seguir em uma cópia impressa e uma cópia em CD/DVD ou outro sistema informático que permita a leitura no computador;
* Com os originais deverá seguir um envelope fechado, contendo os dados referentes ao autor;
* Os trabalhos devem ser entregues no período que medeia entre o dia 1 de Fevereiro e 31 de Março.

Artigo 5.º
O trabalho que, pela sua qualidade literária, mais se distinga entre os autores naturais ou residentes de Cabo Verde será publicado como contrapartida pela distinção.

Artigo 6.º
Caberão ao Município da Ribeira Grande de Santiago todos os direitos sobre a primeira edição do trabalho premiado, comprometendo-se este a oferecer ao respectivo autor 10 exemplares, considerando-se os direitos de autor regularizados desta forma. 

Artigo 7.º
Poderão, ainda, ser atribuídas menções honrosas às duas obras classificadas em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Estas Menções Honrosas terão a forma de um Diploma.

Artigo 8.º
A entrega dos prémios será feita em sessão pública a determinar pela Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago.

Artigo 9.º
O júri será composto por: 
* Presidente Honorário (dr. Pedro Silva);
* Um membro indicado pela Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, pelo seu vereador da Cultura;
* Uma personalidade reconhecida pelo seu mérito intelectual (prof. João Lopes Filho);
* Um Cidadão Honorário da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago (dr. Joaquim Saial)

Artigo 10.º
O júri poderá não atribuir qualquer prémio, caso considere que os trabalhos apresentados não reúnem condições de qualidade que o justifiquem. 

Artigo 11.º
Os casos omissos ou as divergências na interpretação do presente regulamento serão solucionados pelo júri. 

Artigo 12.º
Das decisões do júri não haverá recurso. 

Deste modo, ficam abertas (até 31 de Março) as candidaturas a este Prémio.
Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, 29 Janeiro 2014




[0712] "Harlem Nocturne" de Earl Hagen (1939), em homenagem ao Adriano Lima e a todos os companheiros de jornada do Pd'B

A pedido do nosso colaborador compulsivo Adriano Lima, aqui vai uma excelentes versão de "Harlem Nocturne" em sessão de estúdio para gravação (Roy Frank Orchestra). Não é o nosso Morgadinho, mas vamos fingir que se trata dele a soprar o metal e a amparar a palheta. Este post é dedicado a todos os que têm acompanhado o Pd'B ao longo destes três anos de vida do blogue (e colocado aqui o seus comentários, enriquecendo-o sobremaneira) e preludia os posts comemorativos da data de nascimento do mesmo, nos dias 6, 7 (data de aniversário) e 8 de Fevereiro.

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

[0709] Uma fotografia septuagenária... e um desafio a quem souber identificar estes mnis

A deliciosa fotografia foi-nos remetida pelo nosso colaborador mindelense Zeca Soares, a quem agradecemos a simpatia do envio. Aqui fica o repto lançado por ele. Por curiosidade e para comparação, juntamos no final do post  uma outra imagem, mais ou menos da mesma época, do Seixal, Portugal.

Esta foto em papel postal de antigamente tem mais de 70 anos. São de uma escola não oficial, ou "particular" cujo proprietário e também professor era conhecido por "nhô Tat'oche"?? também aspirante de Alfândega. Ela situava-se na zona do Monte, mais precisamente na rua anterior e na parte mais alta da antiga rua de muralha. A minha mãe, que também está na foto, tem agora 82 anos disse-me que o professor (de bigode e gravata na foto) era também conhecido por sr. Presidente. Apesar do tempo, talvez alguém possa identificar algum conhecido ou familiar.

Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde - Clique na imagem, para a poder ver um pouco ampliada
Seixal, Portugal

[0708] Depois da tristeza dos últimos dias, a alegria... com Morgadinho, o "criol de França" (como ele se chama a si próprio)

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domingo, 26 de janeiro de 2014

[0707] Um texto onde se fala de D. Tututa, sem lhe citar o nome - VER POST ANTERIOR

DIÁRIO POPULAR (jornal vespertino de Lisboa, já desaparecido) 
25.ABRIL.1952, Pág. 5

VISÃO NOCTURNA E BREVE DE S. VICENTE DE CABO VERDE – (do nosso enviado especial) Cabo Verde não teve sorte com as horas nesta primeira viagem do «Vera Cruz» [NOTA do Pd'B: o «Vera Cruz» regressava da sua viagem inaugural ao Brasil] … Mas nem por isso, no porto do Mindelo, S. Vicente, onde o navio entrou já noite, deixou de constituir um acontecimento a chegada do grande transatlântico ostentando a bandeira portuguesa. Logo dezenas de embarcações rodearam o navio e a lancha de onde desembarcaram as autoridades em visita oficial. Depois, pela noite dentro, embora as condições marítimas não ajudassem, sempre houve um reduzido grupo de passageiros, do qual fizeram parte em maioria – é justo dizê-lo… – os jornalistas, que foi a terra, no desejo de tomar breve mas impressivo contacto com o único pedaço do Império ultramarino português que tinham possibilidade de pisar.

Ninguém se arrependeu. É certo que o cais, sem condições, e para o qual é preciso olhar a sério, não auxilia o desembarque. Os próprios rebocadores, na maré baixa, não atracam junto ao cais e é preciso «içar» as pessoas…

Mindelo, não sendo a capital, é o único porto importante... Percorrêmo-lo, extasiados, entusiasmados como que numa devoção patriótica. Ruas calçadas à portuguesa, casas como as de qualquer vila metropolitana, em cores variadas, adormecidas no silêncio e na paz à hora a que desembarcámos. Largos, com as inevitáveis palmeiras coloniais, tão decorativas, e o busto de Camões – nota de portuguesismo eterno. A Câmara Municipal, um excelente Mercado… Visitámos, à hora adiantada da noite, o «Café Royal», onde uma negra toca melancolicamente piano numa alegria que se perdia nas trevas da noite, sem público que contagiasse… [NOTA do Pd'B: trata-se obviamente de D. Tututa] depois, os músicos, negros também, acompanham os jornalistas que percorrem a cidade e vão, tal como numa serenata coimbrã, acordando a população com as suas «mornas» tristes, nostálgicas, cantadas por vozes dolentes e tocadas em ritmos cheios de sentimento pelo «Mochinho do Monte» – um cantor ambulante cheio de intuição e de talento. A noite cabo-verdiana ia-nos cercando gradualmente…

O movimento no porto de S. Vicente está hoje muito reduzido, o que prejudica as aspirações da ilha

Visitámos mais tarde o «Grémio Sportivo Castilho», o mais antigo da cidade, onde os sócios estão em grande noite de baile. À moda da terra, logo oferecem os seus pares aos visitantes; começámos a dançar com as crioulas e de vez em quando já naquelas areias portuguesas de África se ouvem acordes estrídulos de «sambas». Mas preferimos as «mornas». – as «mornas» que vamos dançando até mais tarde, sob a égide de uma oleografia antiga de António Feliciano de Castilho, cerveja e bolos gostosos. De regresso ao cais, acompanham-nos ainda os tocadores entre enxames de cabo-verdianos que vendem colares de conchas coloridas, bugigangas, recordações – mais do que nos deixam estas inapagáveis horas ultramarinas, em terra tão portuguesa e acolhedora, uma terra cuja flagrante pobreza não exclui alegria, uma terra que tudo tem que importar… menos o seu desejo de cantar alegrias e mágoas na letra melodiosa das suas «mornas»?…

Regressámos a bordo, onde nos acompanharam dois grandes escritores cabo-verdianos que são dois grandes escritores portugueses em qualquer parte: Jorge Barbosa e Baltazar Lopes. Jorge Barbosa vive desde menino em Cabo Verde, não conhece já quase a Metrópole, mas tem-na viva na inteligência e no coração; Baltazar Lopes andou há pouco pelo Brasil, onde o seu nome várias vezes nos foi citado. E são estes dois escritores, que vieram acompanhados do jornalista J. Inocêncio da Silva, tão curioso dos temas metropolitanos como dos da sua terra, que ainda levam, alta madrugada, para a ilha as nossas saudades de Cabo Verde…

Só de manhã o «Vera Cruz» sai por entre as ilhas e se pode ver como S. Vicente é vítima da Natureza, que lhe proíbe a vegetação, a água e as condições de opulência. Se não fosse isto, na rota para a América do Sul já teria vencido Dacar, as Canárias, todos os portos que lhe disputam os barcos… e os aviões. E apesar de tudo, ainda hoje entram, por dia, em Cabo Verde, cinco navios… Mas antigamente entravam quinze ou vinte… A luta gigantesca de Cabo Verde é o seu maior título de glória!
Ver também AQUI

[0706] Faleceu a pianista compulsiva, a força da natureza sem substituta visível

Faleceu aos 95 anos D. Tututa, de seu nome completo Epifânia de Freitas Silva Ramos Évora, pianista salense com significativa ligação a São Vicente. Mais uma terrível morte para a cultura cabo-verdiana que tem sofrido tantas perdas de artistas de primeiro plano nos tempos mais recentes. Praia de Bote teve a honra de fornecer fotografias e um texto para o filme (divulgado no post 707 - Ver AQUI) que celebrou ainda em vida da artista uma carreira brilhante e única. 

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[0705] Notícias do Tarrafal de São Nicolau - José Freitas de Brito esteve em “Presidência Aberta” em Alto Fontainhas

Mais cinco horas de estrada, tomando pulso à situação de vida de cerca de 160 pessoas. Em Alto Fontainhas, o presidente José Freitas de Brito encontrou “situações constrangedoras” e que carecem de respostas “eficazes e eficientes”. O desemprego afecta sobretudo os jovens que precisam orientar o seu futuro

A segunda etapa da “Presidência Aberta” do edil José Freitas de Brito chegou este sábado, 25, à comunidade de Alto Fontainhas, um dos bairros mais populosos na cintura da Cidade do Tarrafal. O autarca esteve em 27 casas e tomou pulso à situação de vida de cerca de 160 pessoas.

A jornada que durou cinco horas, principiou pelas 9h30, e o presidente pôde visitar uma parte da comunidade, ficando a garantia de um novo regresso para visitar as outras casas da aldeia.

O desemprego é uma das maiores preocupações numa comunidade onde a juventude e as crianças são a larga maioria. “É preciso encontrar respostas eficazes e eficientes para estas pessoas, sobretudo para os jovens que precisam de trabalho para poderem orientar a sua vida”, observou o edil.

José Freitas de Brito explica que encontrou situações “muito preocupantes”, com famílias numerosas onde sequer um membro está a trabalhar. “São situações que me preocupam enquanto presidente de Câmara mas também como cidadão. Encontramos casas com famílias numerosas, com agregados superiores a oito, dez e mais pessoas, e ninguém tem trabalho. São situações constrangedoras”, observou, assegurando estar cada vez mais motivado para trabalhar e encontrar parceiros que ajudem a solucionar estes problemas.
“Vamos ter de elaborar um programa abrangente, buscar meios financeiros e dar as respostas necessárias. O tempo urge e as pessoas não podem continuar a viver nestas situações, em que lhes falta quase tudo”, comentou.

Em Alto Fontainhas registam-se também problemas a nível das habitações (tectos em avançado estado de degradação), nem todas as residências têm casas de banho, e nalgumas situações as famílias numerosas partilham dois quartos.

A “Presidência Aberta” prossegue durante o mês de Fevereiro, com três deslocações já calendarizadas. No dia 1, o autarca vai a Chã de Poça, no dia 11 estará em Compedrada e no dia 28 será a vez de Cabeçalinho. Neste domingo, 26, no dia do sétimo aniversário da morte do Padre Gesualdo, o presidente presta homenagem ao “arquitecto do Tarrafal”, depositando pelas 17 horas, uma coroa de flores na estátua do malogrado, no centro da Cidade, numa cerimónia que conta com a presença do Bispo de Mindelo, Dom Ildo Fortes.

sábado, 25 de janeiro de 2014

[0704] Faleceu em Lisboa o poeta Aguinaldo Fonseca, natural de São Vicente

Ver AQUI
Eis dois dos seus mais conhecidos poemas:
MÃE NEGRA

A mãe negra embala o filho.
Canta a remota canção
Que seus avós já cantavam
Em noites sem madrugada.
Canta, canta para o céu
Tão estrelado e festivo.
É para o céu que ela canta,
Que o céu
Às vezes também é negro.
No céu
Tão estrelado e festivo
Não há branco, não há preto,
Não há vermelho e amarelo.
—Todos são anjos e santos
Guardados por mãos divinas.
A mãe negra não tem casa
Nem carinhos de ninguém...
A mãe negra é triste, triste,
E tem um filho nos braços...
Mas olha o céu estrelado
E de repente sorri.
Parece-lhe que cada estrela
É uma mão acenando
Com simpatia e saudade...


CANÇÃO DOS RAPAZES DA ILHA

Eu sei que fico.
Mas o meu sonho irá
pelo vento, pelas nuvens, pelas asas.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá ...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos frutos, nos colares
E nas fotografias da terra,
Comprados por turistas estrangeiros
Felizes e sorridentes.
Eu sei que fico mas o meu sonho irá ...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Metido na garrafa bem rolhada
Que um dia hei de atirar ao mar.
Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá ...
sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos veleiros que desenho na parede. 


"Senhor das Areias"

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

[0703] O corsário Francis Drake na Ribeira Grande de Santiago - Mais um valioso texto de Nuno Rebocho

Nuno Rebocho
Texto publicado inicialmente em CIDADE VELHA 1462.

Como se sabe, as investidas de corsários a Santiago, principalmente contra Ribeira Grande, centraram-se sobretudo na segunda metade do séc. XVI: “A partir da década de 1560, a concorrência cada vez mais acentuada de mercadores estrangeiros que inundam a Guiné com um diversificado leque de produtos, deprecia gradualmente o algodão produzido em Cabo Verde e usado pelos moradores no resgate na costa africana” (in História Geral de Cabo Verde). Os corsários foram uma das armas usadas nesta “guerra comercial” visando fragilizar o domínio de Portugal e Espanha nos territórios atlânticos, dado que as potências do norte da Europa não reconheciam o chamado mare clausum resultante do Tratado de Tordesilhas e punham em causa o poder da Santa Sé. Em consequência, “o arquipélago entra numa nova fase em que os sistemas de desgaste do modelo inicial se tornam evidentes, culminando na crise que se abate sobre a sociedade insalubre já nos fins da década de seiscentos” (“História Concisa de Cabo Verde”, coordenada por Maria Emília Madeira Santos, IIPC).

Francis Drake, por Jodocus Hondius
Há uma certa tendência da literatura historiográfica, sobretudo cabo-verdiana, para desvalorizar e menosprezar a actividade dos corsários, considerando-a uma acção marginal. Tal está longe de corresponder à verdade dos factos: tendo em conta que ela afectava bastante a circulação de riqueza atlântica, cuja defesa era então muito frágil, envolvendo proeminentes figuras da história europeia, conclui-se facilmente que esta acção estava longe de ser marginal e muito contribuiu para a decadência do poder de Ribeira Grande de Santiago, nessa altura o rico entreposto do tráfico de escravos. Os golpes desferidos pelos corsários, sendo perniciosos para Lisboa e Madrid, eram um poderoso instrumento das cortes que se lhes opunham.

No arquipélago de Cabo Verde vingava então uma urbe que se tornara num importante entreposto escravocrata: “o local escolhido para o povoamento da vila era um vale profundo e verdejante que era rasgado por duas ribeiras que desaguavam no mar, formando uma enseada com boas condições para a instalação de um porto que facilitasse as ligações com o exterior. 

Ribeira Grande de Santiago, dita Cidade Velha
“No período compreendido entre a instalação do núcleo de Ribeira Grande até aos finais do séc. XV, o aglomerado cresceu e desenvolveu-se em torno do seu porto e actividades comerciais dos seus moradores para, em 1497, já contar com uma Câmara a funcionar (ainda que a localidade só viesse a contar com o título oficial de vila em 1513)” (Fernando Pires, Da Cidade da Ribeira Grande à Cidade Velha de Cabo Verde).

Em consequência da carta régia de 12 de Junho de 1466, a actividade de comércio e exploração a partir de Ribeira Grande (e tal incidia sobre o tráfico de escravos) estendia-se desde Arguim à Serra Leoa, confinando-se esta actividade à zona dos rios da Guiné por outra carta régia de 1472.

Aparecem os corsários

Considerava-se que havia corsaria quando os golpes eram desferidos como actos reconhecidos e mandados executar sob ordens de um qualquer governo, recebendo então eles para este efeito carta de corso, e pirataria quando aparentemente essa disposição não existia. Embora piratas e corsários fossem a mesma coisa e igual o seu modo da actuar, aceite-se esta eufemística distinção, sublinhando que portugueses e espanhóis procediam igualmente à mesma actividade de corso ou pirataria contra os seus opositores (e muitas vezes nos seus próprios territórios).

Galeão de Francis Drake
De uma maneira geral, a história do corso (ou da pirataria), no que a Cabo Verde respeita, desdobra-se por quatro fases: na primeira fase, assiste-se a uma predominância francesa nestes ataques, que se registam maioritariamente a partir de 1530 no mar, estando as ilhas praticamente deles desprotegidas; numa segunda fase, em particular depois da assinatura do Tratado de Léon entre Portugal e França, em 1538, são os ingleses que tomam a dianteira, passando esta actividade a efectuar-se em terra, com ataques às cidades; numa terceira fase, a partir de fins de 1590, é sobretudo holandesa a acção: na quarta e última fase, verifica-se com o ataque de Jacques Cassard a Ribeira Grande de Santiago, praticamente o encerramento deste ciclo.

Para custear as despesas com a defesa de Ribeira Grande a coroa instituiu a Bula da Santa Cruzada de Cabo Verde, embora os ganhos auferidos por esta medida minguassem sobremaneira nos fins do séc. XVI (enquanto as despesas acresciam) e a Bula acabasse por entrar em desuso.

Durante o período inglês sobressaiu Francis Drake, nascido no Devonshire em 1543. Ele foi – desde 1558 (portanto, com apenas quinze anos de idade) - um dos “corsários da rainha” de Inglaterra, Isabel I (de quem alguns historiadores afirmam ser filho bastardo, com isso explicando as preferências que dela teve), juntamente com John Winter e Thomas Doughty. Os três partiram de Plymouth, com Drake a bordo do “Pelican”, em 15 de Novembro de 1577 com destino suposto ao Nilo, ainda que Drake desde logo defendesse que se dirigissem para o Oceano Pacífico, via estreito de Magalhães. 

A circum-navegação do mundo por Francis Drake
Nessa viagem, Drake surgiu em águas cabo-verdianos (primeira incursão) vindo por apelo de seu primo, John Hawkins - por volta de 1578 -, aprisionando então seis barcos que se encontravam ancorados em Ribeira Grande. Hawkins atacara pouco antes Ribeira Grande e depois mancomunou-se, em S. Filipe do Fogo, com Manuel Serradas e os partidários de D. António Prior do Crato. Tendo enganado os residentes de Ribeira Grande, Hawkins foi por sua vez vítima de uma cilada que lhe matou um punhado de homens.

Esta circunstância pôs os corsários ingleses em alerta contra as capacidades de combate da então capital de Cabo Verde - embora ainda não estivesse construída a sua fortaleza e fossem frágeis os três baluartes por essa altura existentes (S. Brás, construído em 1582, Vigia e Ribeira) – e preparou o posterior ataque de Francis Drake. Estavam os locais preparados e justamente desconfiados das intenções inglesas.

De Cabo Verde, Drake prosseguiu rota para o Pacífico (em 1578/79) ao comando de cinco navios, passando pelo estreito de Drake e seguindo pelas Índias Orientais, passando pelo Cabo da Boa Esperança, sendo o segundo europeu a fazer a circum-navegação mundial (1580, depois de Sebastián del Cano). Após esta viagem, Drake foi nomeado cavaleiro de Inglaterra.

Considerado herói pelos britânicos, recebeu deles as mais altas honrarias, enquanto Filipe II de Espanha, que o tratava por “el Drague”, pôs a sua cabeça a prémio (20 000 ducados).

Imagem do que terá sido a Invencível Armada
Em 1585, Drake voltou a atacar Ribeira Grande (segunda incursão), tendo desembarcado em Praia e vindo por terra até à capital, evitando alardes por parte dos esculcas - Drake iniciou os combates por terra, ainda que Serradas já antes tivesse desferido o seu golpe a partir da Praia.

Este processo serviu para industriar o corsário inglês com vistas a uma terceira investida sobre Ribeira Grande de Santiago, onze anos mais tarde.
Em 1587, voltou a atacar a coroa espanhola (em Cádis, la Coruña e Lisboa) e no ano seguinte, em 1588, liderou o conjunto de embarcações inglesas que derrotaram a famosa “Invencível Armada” espanhola (chamada de “Grande y Felicíssima Armada”) na batalha naval de Gravelines, apenas estando subordinado a Charles Howard e à rainha, afundando então nada menos que 23 navios.

Em 1596, Drake fez terceira incursão em Santiago, desembarcando em S. Martinho Grande (Cadjetona) – onde se pensou construir um baluarte, o que nunca se verificou - e rumando por terra para Ribeira Grande à frente de uma coluna de 600 homens, galgou a distância, assim ludibriando as esculcas e os rebates, o que lhe permitiu desferir o golpe sem que houvesse rebate defensivo. Os corsários deixavam de concentrar atenções nos navios ancorados na baía de Ribeira Grande, atacando directamente os mercadores sediados na cidade e apropriando-se dos escravos nela existentes.

Mapa do género dos  usados por Drake
Sabe-se que Drake arrasou o almoxarifado de Ribeira Grande, então localizado perto da anual escola primária de Cidade Velha, segundo o demonstram escavações feitas. A cidade foi alvo de destruições várias e as suas riquezas pilhadas. Foi um rude golpe que fez tremer e temer a sociedade de mercadores e navegadores que Ribeira Grande era então.

A defesa de Ribeira Grande reforça-se

Quando Drake procedeu à sua terceira investida, já existia a Fortaleza Real de S. Filipe, começada a construir em 1588 e concluída em 1589. A defesa recebera importantes reforços, com a instalação de companhias – onde os escravos dominavam, mas onde havia soldados e oficiais profissionais – e colocação de alguma artilharia, culminando com sistema de baluartes, a partir dos quais se fazia fogo cruzado (sete baluartes, a saber: o de S. Brás, o de Santa Marta e o de S. Lourenço, todos na margem direita da ribeira de Maria Parda; o do Presídio, junto da Muralha do Mar; os de Santo António, de S. João dos Cavaleiros e o de S. Veríssimo, na margem esquerda da Ribeira Grande, quase todos recuperáveis).

Estátua de Francis Drake, Londres
Posteriormente à segunda investida de Drake, assistiu-se à profunda reforma filipina do sistema de defesa de Ribeira Grande de Santiago: é no reinado de Felipe II que ela atinge o auge, principalmente com a construção da Fortaleza Real, segundo o traço de João Nunes de acordo com estudos mandados fazer por Diego F. Valdez e reforçados com a edificação de um conjunto de baluartes completamente integrados na sua linha de defesa.

Simultaneamente, rectificou-se a estratégia defensiva – com os navios navegando em “conserva” (de modo que o seu agrupamento minorasse significativamente a acção dos corsários), havendo galeotas que entretanto percorriam os mares, servindo-se da sua grande mobilidade e agilidade para actos de vigilância, e melhoraram-se os processos de espionagem sobre a parte contrária. Considerou-se o armamento artilheiro e outro de que Cabo Verde tinha graves carências e reformou-se a organização das tropas de terra, que desde 1582 se fez pelo sistema de companhias de ordenanças (bandeiras, tendo entre 250 e 170 homens, formadas a partir de esquadras de 25 soldados).

A unificação das coroas ibéricas (em 1580) importou num reforço das condições de segurança e, nunca como então, Cabo Verde mereceu especiais atenções na sua capacidade de combate. O redobrar desta força, que se estendeu até meados do reinado de Filipe III, foi acompanhado também por um reavivar dos ataques corsários, que se agudizaram de intensidade e ainda de poder de fogo.

Um personagem fundamental na história de Ribeira Grande 

Drake a ser armado cavaleiro por Isabel I
Sir Francis Drake, arvorado no posto de vice-almirante britânico, faleceu a 28 de Janeiro de 1596 a bordo do “Defiance” e a combater os espanhóis em S. Juan de Puerto Rico, vítima de disenteria. O seu corpo foi lançado ao mar em Portobelo. Contava  55 anos. Ficou conhecido por sua luta obstinada contra Filipe II da Espanha e por ter sido então o primeiro dos grandes da marinha inglesa. A sua vida e acção são indissociáveis da história de Ribeira Grande de Santiago, da sua antiga riqueza e posterior decadência. A sua figura e personalidade serão, por alguns, criticáveis, mas devem ser entendidas de acordo com os padrões da época. Ele foi, sem dúvida, importante para a história de Ribeira Grande, que não pode ser escrita sem o ter em conta.

Francis Drake trabalhou para a Rainha Isabel I procurando acumular tesouros e riquezas para a coroa inglesa. Porém, caso essa aliança causasse problemas de qualquer espécie para a Rainha, a rainha poderia simplesmente quebrar o acordo e responsabilizá-lo por todos os saques e ataques (sem seu conhecimento), livrando a coroa de todo e qualquer problema presente e futuro. 

[0702] Amizade, cooperação (e... inteligência!) em duas das ilhas de Barlavento: São Vicente e São Nicolau



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

[0701] Mais um edifício a arder no Mindelo: os velhos armazéns da Congel em chamas. Memória documental do fim de uma empresa

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O FIM DE UMA GRANDE EMPRESA DO MINDELO
Depois do Eden Park, foi a vez dos velhos armazéns da Congel. O fogo é a nova moda no Mindelo, com edifícios e construções de significado cultural ou económico a serem consumidos pelas chamas. Parece que nem num caso nem no outro se atingiram as piores consequências, devido à pronta acção dos bombeiros de São Vicente. Mas os avisos estão dados e os isqueiros continuam a ser premidos... 

Tal como prometido há dias, Pd'B apresenta hoje a cópia do Diário da República de Portugal que em forma de acordo põe ponto final naquela que foi uma das mais florescentes empresas de Cabo Verde, a Companhia de Pesca e Congelação de Cabo Verde, SARL, mais conhecida por CONGEL.

DATA : Segunda-feira 5 de Julho de 1976
NÚMERO : 155/76 SÉRIE I 1º SUPLEMENTO
EMISSOR : Ministério dos Negócios Estrangeiros - Direcção-Geral dos Negócios Políticos
DIPLOMA / ATO : Decreto n.º 524-A/76 (Rectificações)
SUMÁRIO : Aprova o Acordo entre a República Portuguesa e a República de Cabo Verde relativo à Congel - Companhia de Pesca e Congelação de Cabo Verde, S. A. R. L.
PÁGINAS : 1476-(2) a 1476-(3)