terça-feira, 25 de abril de 2017

Segundo as novas regras deste blogue, os últimos quatro posts ainda não têm os seis comentários mínimos de pessoas diferentes para podermos lançar novos materiais. Recomendamos, por exemplo, às dezenas de cabo-verdianos que continuam a vir diariamente visitar-nos (residentes em Cabo Verde, de cuja existência e visitas damos conta através dos mecanismos à nossa disposição - nas últimas 24 horas, 34 visitantes directamente das ilhas) que dêem sinal de vida. Caso contrário, o Pd'B continuará parado. 


segunda-feira, 24 de abril de 2017

[2937] Eis o que pensava um "pseudo-colonial" (sic) em Lisboa, em Abril de 1912, que se devia fazer em São Vicente de Cabo Verde


[2936] O Centro Cultural do Mindelo (antiga Alfândega) renova ligação com o seu público

[2935] Em São Vicente, também há agricultura: a feira agrícola do Calhau

[2934] PAM!, PAM!, PAM!, nem pensar, em 1913, em São Vicente...


Escrevemos o seguinte texto há já 10 anos, então com base em dados obtidos no jornal "Futuro de Cabo Verde". Repescámo-lo agora, no âmbito de longa e sistemática pesquisa que estamos a empreender em periódico lisboeta, no qual encontrámos com data de 16 de Setembro de 1913 outra notícia sobre o mesmo assunto - que aqui deixamos, como exemplo da incipiência (mísera indigência, melhor dizendo) do cuidado de Portugal nesta época relativamente a Cabo Verde. Nem um canhãozinho, que vergonha, nem um...

HISTÓRIAS DE MAR (6) - Texto publicado em 23.06.2006, no jornal "Liberal", de Cabo Verde (1.ª série, extinto)
PORTO GRANDE DE S. VICENTE, 1913: A HUMILHANTE FALTA DE CANHÕES PARA SALVAR NAVIOS

Decerto sabe o leitor que este "salvar" do título, referido a navios, nomeadamente os de guerra, tem conotação especial. Quer dizer "saudar" e tem origens bem recuadas. Uma das primeiras marinhas a utilizar a saudação com salvas de artilharia, terá sido a inglesa. De início, apenas sete tiros. Então ainda poucos, devido ao facto de ser difícil recarregar com rapidez as peças de bordo, para desejável repetição. A estes sete disparos sem bala, ripostavam de terra as fortalezas com o triplo – ou seja, vinte e um, número que veio a ser adoptado nos vasos de guerra quando o progresso da indústria de armamento tornou possível maior celeridade no recarregamento dos canhões.

Temos portanto que, ainda hoje, quando um navio de guerra arriba a um porto nacional ou estrangeiro pela primeira vez ou após longa ausência, é hábito fazer essa saudação – que se espera de parte a parte e que, quando não realizada ou correspondida, é estranhada ou mesmo considerada ofensiva. 

E cremos não haver cabo-verdiano que não tenha assistido a esse espectáculo de tiroteio sem animosidade, entre as naves de guerra que demandam portos do arquipélago e a artilharia de costa, sempre empenhada em equivaler em barulho explosivo aos que do mar saúdam os portos nacionais. 

O "Kongo"
Mas nem sempre foi assim. Recuemos a Setembro de 1913 e entremos no Porto Grande de S. Vicente. Dois cruzadores estrangeiros por ali passam e ambos vêem, sob a impassibilidade do Monte Cara, a sua boa educação não ser retribuída de terra. Enfim, os seus governos, o japonês e o alemão, bem tinham sido avisados pelo português de que as nossas peças não estavam grande coisa, que responder a amabilidades navais em Cabo Verde era coisa difícil, praticamente impossível, mais isto e mais aquilo. Ou seja, que a nossa artilharia estava numa completa e desgraçada miséria. Fora mesmo o comando militar local a informar desta falha o corpo consular representado no Mindelo. Mas as comunicações por essa altura também deixavam muito a desejar e a verdade é que o "Kongo" japonês (de que falámos na semana passada) e o alemão "Vineta" ou não sabiam da penúria artilheira portuguesa ou fingiram ignorá-la. E vá de salvar, como exige a ordenança naval. Salva o japona e de terra, nada! Salva o boche e aspas, aspas! E levanta-se entre os forasteiros a suspeita de má vontade por parte das autoridades militares da ilha. Zanga expressa, à vista quase um conflito diplomático.

O "Vineta"
Desde Abril que a situação se prolongava. Tendo sido pedidas novas peças a Lisboa, estas demoravam a chegar, somando-se vexame sobre vexame, de cada vez que um navio de guerra estrangeiro aportava à baía. Salvou a honra do convento o capitão dos portos que se dirigiu a ambos os barcos, para apresentar desculpas pela falha portuguesa. Ao que consta, no alemão elas foram de pronto aceites. Mas no do sol nascente a coisa não foi tão fácil e o pobre oficial teve que colocar todo o seu empenho diplomático para sanar o incidente – aliás, as autoridades locais excederam-se em amabilidades junto do "Kongo" e este acabou por partir com boa impressão da ilha, como também vimos no texto anterior, tendo tudo acabado com visita guiada de homens e senhoras da ilha ao cruzador e um bom chá na câmara do comandante.

Por aqui se vê que, em vésperas da primeira Guerra Mundial, quando todas as potências se preparavam afincadamente para o conflito que já se adivinhava, Portugal não tinha uma mísera peça no melhor porto da sua mais próxima colónia, só uma, ainda que para dar tiros de pólvora seca…

Mas, infelizmente, havia coisas mais prementes em que pensar. Como avançava o "Futuro de Cabo Verde" na mesma altura, "Ameaça-nos uma crise horrorosa. As chuvas até agora ainda não se registaram em S. Vicente e Santo Antão. Ali, ao que parece, já a miséria é enorme. Informam-nos que os trabalhadores emigraram para a Povoação e Ponta do Sol, mendigando (…)". Na realidade, o que era a falta de um canhãozito, ao pé disto?... 

NOTA: O cruzador "Vineta", chefiado pelo comandante Adelung, fora construído nos estaleiros de Kaiserliche Werft, em Danzig, e deitado à água em 1897. 



segunda-feira, 3 de abril de 2017

[2933] Francisco Manso está a rodar a adaptação de "Os Dois Irmãos" de Germano Almeida em Cabo Verde

Quem quer blogue, deve comentar o que se vai colocando!

Publicámos recentemente um conjunto de 12 posts no Pd'B mas, apesar de o blogue ter tido entretanto centenas de visitas, só houve feedback em comentários do Adriano, do Valdemar e do Artur Mendes - o que é manifestamente pouco. Tínhamos agora novos posts, uns muito curiosos, outros de grande qualidade para divulgar, mas não compensa estarmos a perder tempo que é tão necessário a outras actividades nossas, para tão pouca resposta. O lema dos visitantes continua a ser "Visito, porque sei que o que aqui se mostra é interessante, mas não comento porque não estou para isso!". Neste sentido, colocamos hoje apenas um post e retomaremos as actividades quando calhar, isto é, quando para isso tivermos de novo paciência.

"Os Dois Irmãos", novo filme de Francisco Manso, a partir da obra homónima de Germano Almeida
Ver AQUI
Edição portuguesa de Outubro.1995
Edição portuguesa de 2010
Edição italiana
Francisco Manso e Germano Almeida, Trofa, Portugal - Foto Joaquim Saial, Outubro.2014

sábado, 1 de abril de 2017

[2932] Um anúncio de 1912 do estaminé de João Loureiro na baixa lisboeta e Fernando Pessoa... ou mais ou menos...

Do mesmo prédio da baixa lisboeta onde Fernando Pessoa escreveu alguns excertos do "Livro de Desassossego" (ver AQUI), partiam alhos, cebolas, chouriço e paios (entre outros acepipes) para S. Vicente. Só no Praia de Bote (considerado na Europa, África, Ásia, América e Praia de Bote o melhor blogue da... Praia de Bote) se descobrem estas coisas... Queremos uma medalha, queremos uma medalha!!!

Modelo em gesso do "Fernando Pessoa" do escultor Lagoa Henriques colocado frente ao café "Brasileira do Chiado" (esse em bronze), fotografado na Faculdade de Belas Artes de Lisboa por Joaquim Saial




[2931] Ainda mais um post. Que acha o/a caro/a visitante que o nosso amigo Joaquim Feijóo comprava ou queria comprar na Alemanha?


[2930] Qual o posto e a especialidade possível destes dois elementos da Armada portuguesa em passeio no Mindelo?

Sim, já sabemos que se vê mal... Mas há algumas possibilidades de acerto. Algumas... Por outro lado, não temos a certeza do local onde eles se encontram. Praça Nova ou Pracinha d'Igreja? Há ainda alguma possibilidade de haver engano na indicação  que temos (razoavelmente fiável) e ser afinal na Praia, na Praça do Albuquerque.


[2929] A fragata NRP 331 "Álvares Cabral", hoje em S. Vicente, aqui em 2010 no combate aos piratas da Somália (ver post anterior)

[2928] A fragata NRP 331 "Álvares Cabral", hoje ao Mindelo

Ver AQUI (a fragata), AQUI e AQUI
Foto EMGFA

[2927] O Massacre de Batepá, em São Tomé e Príncipe

O nosso colaborador Artur Mendes enviou-nos estas duas imagens sobre o massacre de Batepá (e o que quase aconteceu neste navio) que aqui publicamos, com algumas adendas da Internet. Quem mais souber sobre o assunto, que o diga...



Bernardino Lopes Monteiro e o s filhos

[2926] «One Love» de Sara Tavares será hino da III edição do "Somos Cabo Verde" (ver post anterior, 2924)

Ver AQUI

[2925] «One Love» de Sara Tavares será hino da III edição do "Somos Cabo Verde" (ver post seguinte, 2925)

[2924] Algures na Praia, em 1931, um sport a jogar ténis. Ou será só pose para a foto?


[2923] Sim, é em S. Vicente. Mas não se trata da caravela do Diogo Afonso, pois esta navegava nos anos 60 do século XX, mais ou menos...


[2922] E aí vem mais música, mas agora com o mestre Paulino Vieira... como se fosse Ano Novo...



[2921] Sai música!...



quinta-feira, 30 de março de 2017

[2920] Almada e Praia de Bote, em festa, pois Portugal e Cabo Verde vão reencontra-se mais uma vez nos 138 anos de Mindelo-cidade

Ver AQUI

[2919] Praia de Bote apoia: Cabo Verde na União Europeia, já!

Um primeiro-ministro bem humorado é outra coisa. Ou de como Ulisses Correia tenta lançar a escada à União Europeia. E agora, convenhamos, ele tem razão na sua brincadeira. Essa podia ser a excepção à regra. Açores, Madeira e Canárias estão na UE por direito de ligação a nações do continente. Mas Cabo Verde também é Macaronésia. Porque não, então? Nem que fosse com um estatuto especial, próximo do dos países de direito legítimo. Seja como for, Praia de Bote apoia. Viva Cabo Verde na UE!!! Temos dito!!!
Ver AQUI

segunda-feira, 27 de março de 2017

[2915] "O capacete" e "A tatuagem", de Joaquim Saial, já estão no "Terra Nova" de Cabo Verde

Duas Histórias de Vida e Morte, "O Capacete" e "A Tatuagem", short stories de humor negro, mais de humor que de morte, uma centrada numa roça em São Tomé e outra em sítio indeterminado, também de expressão lusófona. Encontra-as no "Terra Nova", de Cabo Verde. Boa leitura, lhe desejamos...


domingo, 26 de março de 2017

[2914] O "Endeavour" já terá estado no Porto Grande? Dizem que é o mais belo do mundo e está em Cascais

Ver AQUI a notícia (e maximize o filme)

[2913] Eis o que se pode desvendar acerca da foto do post anterior

Ora a foto é do feriado do 1.º de Dezembro de 1944 (calhou a uma sexta-feira, mesmo a jeito para o evento que ali teve lugar). Diz o palpite do Mendes que é o Hospital. Ora o Hospital fica no Lombo e o que temos aqui aconteceu na Ribeira Bote/a, como reza o texto manuscrito no verso da mesma. Está mais ou menos explicado de que se trata. É uma "Lembrança da inauguração da Sala do Soldado do C.A.R. do Regimento de Infantaria 23". Este regimento (de Coimbra) viera de Sul, de outras Áfricas ainda mais africanas, como reza o que retirei do blogue "Momentos de História": 

Quanto à palavra "Soldado", custou-nos decifrá-la, mas veja-se que o "a" de "Sala" é minúsculo, tal como o "o" de "Soldado" (apenas um pontinho, na junção entre o "S" e o "l"). Agora, entra em cena o Adriano que nos irá dizer o que era o C.A.R.

Relativamente ao civil com capacete colonial nas nãos, pareceu-nos o poeta José Lopes, mas com imensas dúvidas, apesar de tudo.

Do cartaz afixado na porta, com quatro palavras sobrepostas, só conseguimos desvendar as primeiras três: C.A.R. / Posto / de /... Terá algo a ver com saúde? Daí as duas senhoras que poderão ser enfermeiras? Posto de enfermagem, em vez de hospital? Mas havia enfermeiras no Mindelo a prestar assistência aos soldados? Eles não tinham o seu próprio médico e enfermeiros militares? Enfim, mistério... A decifração da sigla C.A.R. poderá trazer algumas luzes. E assim, continuamos a mergulhar não na Matiota nem na Baía das Gatas mas na história de São Vicente e do Mindelo...


[2912] Só para maiores de 80 anos... que tinham sete, quando esta foto foi feita

Que se passa nesta foto? Por que foi feita? Que comemora? Pergunta extremamente difícil de adivinhar. Que sítio é este? Não tão difícil, mas mesmo assim muito complicado (e não venham dizer que é São Vicente, porque essa é a única coisa que até o ignorante do Djosa de nha Bia sabe...). Quem são estes homens e sobretudo quem são os dois civis (suspeito que sei quem é o do capacete colonial) e as duas senhoras? Talvez seja mais fácil de descobrir, excepto para mim. Quanto à frase, era verdadeira e adequada na altura, pois claro. Aqui fica o repto para o sport de Tours (nosso fiel comentador e sábio encartado) se deliciar. Só para envenenar o espírito dos amigos que têm o hábito salutar de comentar as nossas imagens, informamo-los que sabemos qual o assunto que levou a que a foto fosse feita, a data da mesma e o local quase exacto em que se ouviu o click!. Por fim, não fazemos disto concurso, dada a dificuldade das perguntas. O Pd'B só faz concursos que ele próprio poderia ter capacidade, ainda que remota, de vencer.






sexta-feira, 24 de março de 2017

[2909] Um saboroso texto inédito de Adriano Miranda Lima (que agora deixa de o ser...)

UM CASO REAL QUE ENTROU NO ANEDOTÁRIO DO POVO DE S. VICENTE DE CABO VERDE

Adriano Miranda Lima
Nos meus tempos de menino e moço em S. Vicente de Cabo Verde, ouvia aos mais velhos contar este caso ocorrido com o mestre de falucho “Joquim de Nhô”. Para o dar agora à estampa, tive necessidade de confirmar e clarificar alguns dados, recorrendo à memória de um tio meu e do amigo Valdemar Pereira. Diga-se de passagem que este episódio ilustra bem o refinado espírito de humor do povo da ilha de S. Vicente.

JOQUIM DE NHÔ E O SUBMERSÍVEL ALEMÃO

Durante a II Guerra Mundial, submersíveis alemães pairavam nas águas cabo-verdianas e com frequência rondavam o litoral das ilhas do Noroeste do arquipélago, em especial a de Santo Antão, muitas vezes ancorando em algumas baías mais recônditas para se reabastecerem de produtos frescos.

Grande parte do transporte de mercadorias entre S. Vicente e Santo Antão era assegurado por pequenos veleiros de um mastro conhecidos por faluchos. Os seus mestres eram homens simples, sem grande instrução, mas calejados e experimentados na navegação de cabotagem. Essas embarcações pertenciam a comerciantes da praça de S. Vicente ou a proprietários rurais de Santo Antão ou outras ilhas mais próximas.

O Joquim de Nhô  era um desses mestres e o seu roteiro normal era entre o porto do Paul, Santo Antão, de onde era natural, e o Porto Grande, de S. Vicente. À data em que os factos se passaram, seria homem dos seus sessenta anos. Andava sempre de sandálias de couro e com um boné do mesmo material.

Certa noite, em 1942, ia ele ao leme do seu falucho, viajando de Santo Antão para S. Vicente, com o pequeno navio carregado de produtos agrícolas e galinhas acondicionadas dentro de cestas de verga, como era usual.

A dada altura, o andamento do falucho é interceptado por um submersível alemão. Um foco luminoso inunda o seu convés. Do monstro de aço, vem ordem, entre gestos e palavras gritadas em língua estrangeira, para o falucho baixar os panos e suster a marcha. Imobilizado o falucho, alguém no submersível quer saber quem é o seu capitão.

O Joquim Nhô não fala o inglês, mas percebeu a intenção da pergunta e, visivelmente nervoso e atrapalhado, leva os braços ao ar, em sinal de rendição, e diz em crioulo, sua língua materna:

− Mim ê Joquim de Nhô, capton dês navizim, fidje de Mari Jona e Nhô Grigor. Bocês ca fazê nôs mal porque ês navizim n’ê de combat.

Aos gestos e palavras que perguntavam sobre a finalidade da viagem, responde:

− Nôs traboi ê sô transportá carga e gente entre Soncent e Sintanton. Nôs n’tem nada c’guerra de bocês ma Inglaterra.

− What are you carrying? – Perguntaram os alemães. 

− Batating, mandioking, bananing,  galinhing… − Respondeu Joquim de Nhô, tentando dar um ar de inglês a essas palavras.

Então, alguns marinheiros alemães descem ao convés do falucho e transferem para o tombadilho do submersível o que mais lhes interessou, produtos agrícolas e as galinhas que viram dentro dos cestos arrumados no convés. Entregam ao “capton” uma importância em dinheiro que calcularam correspondia ao preço dos produtos, não se sabe se em marcos ou libras.

Boquiaberto e ainda não refeito do enorme susto que apanhou, Joquim de Nhô vê o submersível desparecer na escuridão da noite com a mesma rapidez com que surgira momentos antes. Manda içar de novo os panos e algumas horas depois o falucho largava ferro na baía do Porto Grande. Com os porões aliviados de muito do que fora carregado no Paul, mas com algum dinheiro estrangeiro nas mãos do “capton” para ser entregue a quem de direito.

O cônsul britânico, em S. Vicente, tendo tido conhecimento do ocorrido, mandou um recado ao Joquim de Nhô, dizendo-lhe para de futuro ir logo ao Consulado dar conta dos submersíveis alemães que avistar no canal. O “capton” respondeu ao portador do recado: 

− Bá e bô dzê pa nhô Cônsul que Joquim de Nhô n’é spion de ninguém”. 

Tomar, 18 de Março de 2017
Adriano Miranda Lima

quinta-feira, 23 de março de 2017

[2908] Mindelo vai ter... sambódromo. Ou da domesticação do carnaval popular ao desprezo pela coladera


Toda a gente sabe que o samba é coisa muito de Cabo Verde, nomeadamente de São Vicente. Há até académicos internacionais que afirmam a pés juntos que este género musical nasceu no Mindelo, algures no sopé do Monte Cara - que antes estava com o nariz virado para o Brasil e de tanto sambar se fatigou e passou a ficar deitado. É de igual modo ponto assente que o Brasil nos copiou, aliás de modo assaz incipiente e... desengonçado. Isso mesmo se pode ler nas páginas 345 e 346 de "O Samba Nasceu Junto ao Monte Cara", do insuspeito professor Itamar Jeruso Alagoas Tapué, catedrático da Universidade Federal do Pão de Açúcar. Também se afirma em aulas do recém-criado mestrado de Samba da Universidade Independente da Matiota que a coladera é muzga sem importância, inventada por selvagens antropófagos da Papua Nova-Guiné e trazida para o arquipélago por um emigrante cabo-verdiano que construiu casa na Ribeira de Julião, adaptando depois a dança à realidade das ilhas através da "umbigada".

Enfim, não adiantamos mais, pois de facto o que fazia falta ao Mindelo era um sambódromo. Nada de mais útil à cidade, sem dúvida. Uma ideia brilhantíssima que merece monumento a quem a teve e a quem a deseja realizada. Um achado! Praia de Bote bate palmas e mexe o pé, ao som de "Sambinha da Baía... das Gatas" da autoria do famosíssimo Djosa de Nha Bia, o homem que ensinou B. Léza a tocar e que começa com a frase "Nossenhora da Luz nos proteja"...

Ver AQUI


quarta-feira, 22 de março de 2017

[2907] A resposta da Super Bock ao palerma holandês...

Isto é que é sentido de oportunidade, isto é que é marketing, isto é que é humor! Parabéns à cerveja que gastou tudo em copos e propomos aos cabo-verdianos que passem a beber o delicioso néctar português, a par da igualmente refrescante Strela!...


[2906] Por vezes, há milagres...

No mesmo recente dia em que dei com o desastrado banco pessoano, fotografei um local que é conhecido do Brito-Semedo, do Adriano, do Valdemar, da Ondina e da Carmo, entre outros amigos que já ali tenho levado (o Zito...), por entre passeios na baixa lisboeta, com intervalos pantagruélicos e degustações vinícolas (enfim, algum exagero nestas palavras, convenhamos...). Os bons fotógrafos, conseguem imensas boas fotografias a partir do nada; os amadores, esses precisam de um milagre para terem uma boa fotografia. E de facto assim foi. Nesse pós-almoço dominical passado saiu uma das melhores dos últimos tempos. Ela aqui fica, para os "meus" turistas e amigos cabo-verdianos que já ali entraram. E também para os que não conheço, obviamente.



[2905] Carta do Fogo...

Todos conhecemos pelo menos um descendente, com o mesmo nome e "nominha", rapaz da Armada portuguesa e de vários galões. Aqui fica, para os foguenses que cá vêm se deliciarem, esta carta dirigida à Spencer Novelty MFG, na Rua Spencer de Brooklyn, 141, New York; USA.  

Repare-se no desenho, sacas de café com as iniciais de Agnelo A. A. Henriques mais a palavra Fogo, as folhas de cafezeiro e o cordeiro (agnus), para além no sinete do lacre com o "nominha". Um luxo, de requinte!!! 

Ah!, A rua e a dita americanas ainda existem. Se não acreditam, vão ver ao Google Maps... Para finalizar, a frase muito antiga inventada há segundos aqui no Pd'B: "Fogue ca é (era) só bulcon"... E, já agora, deixem os vossos comentários.