quarta-feira, 28 de junho de 2017

[3033] Tanta coisa se pode sacar de um simples postal...

Dado que alguns dos posts hoje colocados são algo extensos (por exemplo a entrevista a Nuno de Miranda e o recorte da "Capital"), amanhã não haverá posts, para os nossos visitantes poderem "mastigar" melhor o que hoje aqui deixámos. 

Para rematar, fica o verso de um postal ilustrado curioso. Yvonne escreve para madame Cempez (?), a partir de São Vicente, em 1 de Outubro de 1916, dizendo-lhe que está a ter uma boa e bela viagem e dirigindo-lhe um beijo. O carimbo de São Vicente coincide com o do paquete onde ela estaria em trânsito e o postalinho é "carimbado em alto mar", como ali se pode ler. 

A Royal Mail Steam Packet Company "The RMSPcoy" refere-se ao navio "Araguaya" que fazia a carreira Southampton-Buenos Aires. Era carimbar a correspondência bordo e depois despejar a mala em São Vicente. Daí, lá iam cartas e postais para o mundo...

Quanto à parisiense Rue de Flandre, passou depois a avenida em... 1994 Ver AQUI

Quanto ao veículo da mensagem, era editado pelo Costa da Rua do Ouro, 295, Lisboa. Às tantas, alguém do Mindelo subiu a bordo com uma colecção de postais, com a qual deve ter feito bom negócio. Se, pelo contrário, a menina (ou senhora) Yvonne o comprasse em terra, não levaria o carimbo do navio. Achamos nós... Pode ser tudo ao contrário, claro.

Esqueci-me de aludir ao selo inglês, mais um sinal de que o postal partiu mesmo de bordo para o Mindelo e daí então para o destino.

Já viu o nosso visitante, o que se pode tirar de um simples postal?


[3032] Empresário César "nhô Cesa" Marques da Silva, fundador do cine-teatro Eden Park, homenageado pela Presidência da República de Cabo Verde

César Marques da Silva (foto Manuel Brito-Semedo)
Nota enviada pelo nosso amigo e colaborador Valdemar Pereira, com mensagem que recebeu hoje:

Caro Amigo Djack:

Tenho o imenso prazer de transcrever parte de uma carta do meu "chefe de turma" Manuel Marques da Silva com uma inesperada noticia que muito nos alegra.

"... ontem, à noite, fui contactado pela minha simpática e querida sobrinha Jaqui,comunicando-me que foi decidido homenagearem o meu pai, Cesar Marques da Silva, e que S. Exa. o Presidente da Republica de Cabo Verde convida um membro da família do mesmo a estar presente no dia 5 de Julho próximo, aniversário da Independência do nosso País, na Praia.

Por vários motivos, saúde, idade e pelo curto espaço de tempo que falta para as cerimónias, depois de falar com os meus familiares, decidi delegar na minha sobrinha Dr.ª Carla Marques da Silva, residente na Praia, neta e filha do primeiro filho do meu pai, o meu irmão Luis Filipe Marques da Silva, a representação da família Marques da Silva no acto e na honrosa decisão, que agradeço, até por que bem sei e tenho provas de que o homenageado foi um bom, sincero e verdadeiro amigo de S. Vicente, nunca esquecendo a sua ilha natal, S. Nicolau, em particular, e de Cabo Verde e dos cabo-verdianos, em geral."

Muitos lutámos por isto e parece que é desta vez... na Praia. E Soncente fica vendo navios a passar.

Braça pa tude bocês

V/
Ver também AQUI

[3031] Nuno de Miranda, em entrevista de 2013 para o jornal "A Semana"

Na preparação de textos para a exposição que comemorará no concelho de Almada os 70 anos de "Chiquinho", fomos dar a uma saborosa entrevista de Otília Leitão a um dos claridosos, primo do grande frequentador da Praia de Bote, Adriano Miranda Lima. Trata-se do escritor e poeta Nuno de Miranda, entre muitos outros trabalhos, autor de "Cais de Pedra". Leia-se, com gosto.

OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Postal de Lisboa 04 Abril 2013

Otília Leitão
Sobre a secretária do seu escritório, onde se resume uma vida, Nuno de Miranda, um cabo-verdiano sobrevivente da revista “Certeza” de que foi co-fundador (1944) e editor do movimento “Claridade” (1936), mostra-me um livro pronto a editar, “Fogo e Alimento” (notas ensaístas), enquanto burila as palavras de um novo romance que começa em Bragança, uma cidade transmontana de que gosta muito e, inevitavelmente, como aliás toda a obra, vai perpassar Cabo Verde.

De Otília Leitão

O escritor, natural de S. Vicente, e que viveu um dos períodos mais agitados da política portuguesa como chefe do protocolo e do gabinete de imprensa do Conselho da Revolução (1976 /79), segue o fio da História, numa conversa que, pela sua sabedoria e lucidez, esmaga os sinais da cronologia do tempo sobre a matéria humana - nasceu em 1924.

Deixa transparecer uma frescura romântica quando, esboçando um sorriso, me aponta na estante: “esta pedrinha (com uma flor em estanho gravada) pertencia ao espólio do antigo jornal “O Século” que comprei à jovem que o vendia e por ela me apaixonei”. Ela é hoje Natércia Miranda, uma distinta médica de saúde pública e que tem também obra escrita na sua área profissional.

Na sua casa, num local calmo da cidade de Lisboa apenas perturbado quando em dias de euforia do futebol no Estádio do Benfica, ali perto, o poeta aceita o desafio de me levar ao imaginário do seu mundo, pela palavra. É português de nacionalidade, a mesma que o arquipélago cabo-verdiano possuía na sua época colonial mas, Nuno Álvares de Miranda, que conviveu numa elite do regime do Estado Novo e prosseguiu na Democracia, é uma evidência de que um ser humano tem múltiplas pertenças.

E é na simbiose de vivências que o poeta revela em toda a sua obra e na sua postura actual a transparência da alma cabo-verdiana, ou seja, a raiz ao espaço telúrico onde está enterrado o seu umbigo. Desde logo, quando se lê “Cais de Ver Partir”, Lisboa, Orion, 1960, o livro que um seu amigo, Alfredo Margarido, levou à editora de Orlando Gonçalves, dono do jornal “Notícias da Amadora” - e o apresentou já publicado, de surpresa. Com esta obra ganhou o prémio literário Camilo Pessanha em 1961.

Nuno de Miranda
Deste, por me parecer profundo e significativo, transcrevo: “Os homens estão cansados/ das suas graves amarras/ são estáticos barqueiros, no seus mares decifrados. Os homens estão cativos/ sem qualquer explicação/ tensos de riba da onda/ vinda rolar do mais longe. Os homens estão ancorados/ em sua nave incorpórea/ o rio ao largo a lembrar/ falas de amor e segredo”.

Voltou a ganhar o mesmo prémio, em 1964, com “Cancioneiro da Ilha”, Braga, Ed. Pax, em paralelo com José Hermano Saraiva, o famoso professor que já então se notabilizava em História, distinguido com o prémio “João de Barros” pelo livro “Formação do Espaço Português” (Boletim Geral do Ultramar, Fevereiro de 1964).

Nuno de Miranda foi condecorado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, pelos “serviços culturais” prestados e também pelo Instituto brasileiro de Antropologia da Amazónia. Foi também distinguido pela Academia Brasileira de Letras, pela sua participação na “Palavra de Poeta- África”, um projecto que englobou a faceta “Palavra de Poeta-Portugal” e “Palavra de Poeta-Brasil”.

Considera-se “um conservador” para quem escrever um romance em crioulo é “uma aberração”, pois “apenas será lido a nível interno”, diz. As suas obras são em português, língua que a sua mãe, professora, cultivava com exigência e rigor, proibindo que falasse o crioulo em casa, mas “não na rua”, sorri.

Além da ficção “Cais de Pedra” (1989) e do primeiro romance “Caminho Longe” (1974), o autor possui ainda outras obras, quer em prosa, quer em poesia, sempre incluindo elementos da cabo-verdianidade: “Gente da Ilha”, Lisboa, Agência Geral do Ultramar, 1961; “Poema”, in Sul, Florianópolis, 1954; “Recado”, in Cabo Verde, Praia, 1958; “Um poema do Cais de Ver Partir”, in Cabo Verde, 1959; “Crepuscular” in Garcia de Orta, Lisboa, 1961; “O Chá”, in Cabo Verde, 1962.

Ao longo da sua carreira, em cargos destacados do funcionalismo público - talvez o cabo-verdiano que mais alto tenha subido durante o regime do Estado Novo - o poeta sempre escreveu artigos na imprensa portuguesa e brasileira onde enaltecia a cultura cabo-verdiana. Tal se pode apreciar em “A propósito do Pilão”, S. Paulo, 1941, e “A propósito da Hospitalidade cabo-verdiana”, 1961.

Destaca-se um curioso artigo “sobre educação e desenvolvimento em Cabo Verde” (1961) onde o autor dava conta do número de alunos que frequentavam a universidade em Lisboa (34) e criticava o “marcante predomínio pelas profissões ditas clássicas” (Direito e Letras). “Será esta a propensão, aconselhada para o caso de Cabo Verde”, (...) na hora em que se conjugam esforços de realizações que nos dizem serem adequadas para subtrair a nossa terra e o nosso povo aos círculos tradicionais que trazem a marca do flagelo?”, instava, ao mesmo tempo que concluía: “tudo indica que não e o bom senso preconiza o desvio da referida propensão”.

Não contive uma gargalhada quando, desfiando a memória, Nuno de Miranda “me transportou” ao Cais do Sodré lisboeta onde, nos anos 50, vindo de Cabo Verde, foi comprar seis lagostas para oferecer à pessoa que o haveria de encaminhar (Castro Fernandes, administrador do BNU), à sua chegada à então Metrópole, com vista a prosseguir os estudos universitários e arranjar emprego: “trouxe de Cabo Verde esta lembrança do meu tio António, o médico, seu amigo...”, recorda, rindo-se do próprio episódio.

Instalado na capital portuguesa, aqui se licenciou em Letras pela Universidade Clássica de Lisboa, áreas de Filosofia e História, além de cursos de Visualização Artística, na ARCO e de Animação Cultural, em França.

Foi numa das manhãs em que habitualmente passava pelo Palácio Foz, na baixa pombalina, local onde à época se tomava café e lia os jornais, que Nuno de Miranda se apercebeu da importância da sua poesia, através de um homem, que mais tarde soube ser o jornalista e crítico literário Luís Forjaz Trigueiros, que lhe terá perguntado: “Conhece Nuno de Miranda? É que desde 1945 que procuro saber dele, pois Maria Barroso (mulher do ex-presidente Mário Soares, naquela época declamadora) diz poemas dele!”. “Fiquei surpreendido ao saber que sou o primeiro poeta cabo-verdiano a ser declamado e disse: Sou eu!”.

E foi nesse deambular pelos centros de tertúlia da cidade que conheceu personalidades com relevância em diversas áreas do saber. E foi através do professor Almeida Lessa que chega ao professor Adriano Moreira e este o admitiu na Junta de Investigação Científica do Ultramar onde esteve entre 1958 a 1973.

Na sua sala de estar, de onde se avistam verdes campos de ténis, e onde passa grande parte do dia, pela melhor acessibilidade à musica e à televisão, são visíveis as fotos de família do casal. Dos seus ancestrais, lá está a sua mãe, Maria Amélia (em honra da Rainha D. Amélia), neta do seu bisavó originário de Loulé, Algarve.

Foi dela que herdou uma cultura pela qual sempre se sentiu fascinado. “Um dia, lá em S. Vicente, o Eduíno Brito Silva, chamou-me, aos gritos, para ver umas coisas que tinham chegado de barco... Fiquei deslumbrado quando ele me pôs a ouvir as fadistas Amália Rodrigues e Fernanda Baptista. “Decidi que queria viver em Lisboa...”, mas tinha apenas o sexto ano e para prosseguir os estudos universitários era preciso o sétimo ano, recorda o escritor, cuja força anímica o fez completar o grau necessário, em apenas quatro meses. E, quando pensava estar pronto para viajar para Lisboa, a família colocou-o no Banco Nacional Ultramarino, no Mindelo, em Cabo Verde.

Do seu pai, João Baptista, que veio para Lisboa aos nove anos para estudar e mais tarde foi para a Guiné, Nuno de Miranda guarda a herança crioula. “Vivíamos bem em Cabo Verde, mas o sonho era Lisboa e isso só foi conseguido, um tempo depois, mediante uma troca com outro funcionário”.

Com uma vida muito preenchida ao longo da história, ingressou na Direcção Geral de Comunicação Social como consultor em 1966, na qual, três anos depois, foi Chefe de Secção de Realizações Artísticas, lugar de grande satisfação por se relacionar com a arte através de congressos e exposições que organizava.

Em 1984 foi a Mindelo e Praia para apresentar a 1ª exposição de Gravura Portuguesa Contemporânea, em que pela primeira vez Cabo Verde pôde ver trabalhos de Júlio Pomar, António Quadros, Maria Keil, Nikias Skapinakis, Júlio Resende, Grechem Wohlwill, Sá Nogueira, Maria Velez, entre outros. Para assinalar o doutoramento Honoris Causa do então ex-presidente senegalês Léopold Sédar Senghor, na Universidade de Évora, organizou a exposição de Literatura afro-lusa.

Nuno de Miranda organizou colóquios com estudantes cabo-verdianos e lê-se no Boletim de Cabo Verde de Março de 1960 que “aproveitando a passagem por Lisboa a caminho de Angola do Dr. Júlio Monteiro, para assumir o cargo de Intendente Administrativo, Nuno Miranda fez reunir a 23 de Fevereiro desse ano, num dos anexos do centro de Estudos Políticos e Sociais (...) estudantes universitários e mais elementos da colónia cabo-verdiana, para serem informados de alguns aspectos da vida actual do Arquipélago”.

Jornalista na televisão e Emissora nacional, foi demitido de redactor do Telejornal (1973) tendo a PIDE (polícia política do regime de Salazar) posto um carimbo no despacho de demissão: “inconveniente o seu ingresso nos quadros”.

O poeta soube do “25 de Abril”, revolução que derrubou o regime ditatorial em 1974, quando vinha da sua casa em Cascais para o Palácio Foz, percurso que estranhou nessa manhã estar deserto. À sua chegada, num carro Mercedes, foi surpreendido com gritos chamando-lhe “fascista!”. Lá dentro foi informado pelo director de que tinha havido um golpe de estado.

Depois da designada “revolução dos cravos”, - pelos milhares de cravos vermelhos que circulavam de mão em mão, símbolo da liberdade - Nuno de Miranda foi chamado, em 1976, para o Conselho da Revolução, a convite de Almeida Santos para trabalhar com o capitão Sousa e Castro, que era na altura chefe dos serviços de extinção da PIDE, e em comissão de serviço, foi Chefe do Gabinete de Imprensa e do Protocolo até 1979. Reformou-se do Palácio Foz, de que era quadro da Direcção Geral de Comunicação Social, no início dos anos 90.

Nuno de Miranda nunca faltou ao trabalho e, de 1984 a 1989, obteve cada ano, como funcionário público, a qualificação de “Muito Bom”. Hoje continua apaixonado pela escrita.

No final de uma conversa pela tarde dentro, na Sexta-feira Santa, aceitando um chá preparado pela sua mulher, fiquei a saber que a filha Joana e o genro do casal, estavam a aprender crioulo. Achei curioso e exclamei: uma herança do pai, provavelmente! Fixei, nesse momento, o poeta e li-lhe aquiescência no brilho do seu olhar!

[3030] Ca tem tchave, ca tem jogue

Ultramarina de São Nicolau - Mindelense: jogo da liga cabo-verdiana não se realizou, porque ninguém apareceu para abrir portas do estádio
Ver  AQUI


Após as comemorações do Sanjom, em São Vicente, chave do estádio de São Nicolau surge espetada no solo da Rubera de Jiliom. Pensa-se que o porteiro esteve nos festejos e que após 16 grogues e uma sessão d'umbigada a deixou cair sem ter notado...


[3029] Segundas intenções...

Eis porque alguém interessado nas coisas da Armada pensava na "Capital", em Julho de 1914, que cabindas e cabo-verdianos deviam ser recrutados (mas... "apenas como cooperadores") para a Marinha de Guerra Portuguesa, corporação até aí praticamente formada por elementos de raça branca. Conversa a dois, entre a "adaptação de indígenas ao serviço naval" e a sua resistência ao calor, à luz do exemplo francês... Ou seja, apenas bons para alancar com o calor das fornalhas... No final do 4.º parágrafo, as gralhas no português e no francês dificultam a compreensão: leia-se "uma entrevista".


[3028] Para quem gosta de saber tudo, tudo, mesmo tudo... (ver post 3024)

Portaria n.º 23646

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Ultramar, que, nos termos do artigo 2.º do Decreto n.º 37050, de 8 de Setembro de 1948, sejam emitidos e postos em circulação na província de Cabo Verde selos de franquia postal com as dimensões de 35 mm x 25 mm, nas quantidades, taxas, motivos e cores seguintes:

3000000 da taxa de $50 (porto de S. Vicente). - Amarelo, azul-celeste, azul-esverdeado, vermelho, preto, castanho-escuro, castanho-claro, vermelho-escuro, rosa e verde;

2000000 da taxa de 1$00 (purgueira). - Amarelo, vermelho-escuro, preto, sépia-claro, verde-claro, verde-escuro, verde-azeitona-claro, castanho-escuro, rosa e cinzento-violáceo;

2000000 da taxa de 1$50 (amendoim). - Amarelo, azul, verde-escuro, verde-esmeralda, verde-claro, preto, castanho-escuro, vermelho-escuro, sépia-claro e cinzento-esverdeado-claro;

3000000 da taxa de 2$50 (rícino). - Amarelo, vermelho, vermelho-escuro, verdeescuro, verde-claro, verde-amelado, preto, castanho-escuro, castanho-claro e ocre;

400000 da taxa de 3$50 (inhame). - Amarelo, castanho-claro, castanho-escuro, castanho-amelado, preto, verde-escuro, verde-claro, verde-esmeralda, vermelho-escuro e cinzento-claro;

500000 da taxa de 4$00 (tamareira). - Amarelo, vermelho, vermelho-escuro, azul, verde-escuro, verde-claro, rosa, castanho-escuro, preto e verde-azeitona-claro;

400000 da taxa de 4$50 (goiabeira). - Amarelo, azul, preto, castanho-claro, castanho-escuro, verde-claro, verde-escuro, vermelho-escuro, rosa o lilás-claro;

400000 da taxa de 5$00 (tamarindeiro). - Amarelo, vermelho, vermelho-escuro, preto, castanho-claro, castanho-escuro, verde-claro, verde-escuro, rosa e cinzento-amelado;

150000 da taxa de 10$00 (mandioca). - Amarelo, verde-escuro, verde-claro, verde-esmeralda, castanho-escuro, castanho-claro, preto, vermelho-escuro, sépia-escuro e sépia-claro;

150000 da taxa de 30$00 (rapariga de Cabo Verde). - Amarelo, vermelho, vermelho-escuro, azul, castanho-escuro, preto, sépia, verde-escuro, verde-claro e cinzento-azulado.

Ministério do Ultramar, 7 de Outubro de 1968. - O Ministro do Ultramar, Joaquim Moreira da Silva Cunha.

Para ser publicada no Boletim Oficial de Cabo Verde. - J. da Silva Cunha.

terça-feira, 27 de junho de 2017

[3027] Teófilo Chantre, "Nada Mas, Nada Menos" (naquel criol sabim de Soncente)

[3026] Mais um konkurso extraordinário do Pd'B

Pergunta simples e direkta: ke koisa é pior que eskrever Kavala Fresk com dois "k"?


Prémio ao venkedor: um kilo de kavala kru kom kalda para konserva

O konkurso é tão difíkil ke não vou fazer perder mais neurónios aos nossos visitantes e komentadores. Eis a reposta: pior ke "Kavala Fresk" ter dois "k" é... "kavala fresk" ter 3 "k"...


[3025] Presidente da República de Cabo Verde presta a sua homenagem de adepto do Vitória de Setúbal a Mourinho (pai)

Ver AQUI

[3024] Não há duas, sem três...

Primeiro, descobrimos uma das imagens e publicámo-la aqui; depois, surgiu-nos a segunda e ela cá ficou; finalmente, agora demos com um selo feito a partir da fotografia que serviu para ambos os folhetos e ele aqui se plama também. O autor, anónimo, bem a virou em espelho, mas é ela, a nossa conhecida cabo-verdiana. Assim se prova, mais uma vez, que... não há duas sem três...


[3023] Excerto de segundo capítulo a sair no número de Junho no "Terra Nova" de Cabo Verde de texto já saído integralmente na revista "Convocarte" da Faculdade de Belas Artes de Lisboa


[3022] Só para relembrar, sobre textos de autores externos a publicar no Praia de Bote

1 - Tal como se disse em post anterior, está encerrada a publicação de textos de autores externos (individuais ou colectivos) no Praia de Bote, nos seis meses que aí vêm, portanto até ao início do próximo ano. O motivo é simples e bastante claro. É que a quase totalidade desses autores pede-nos para publicarmos os seus textos e depois nunca comenta nada (ou só por excepção) - nem os seus próprios textos nem os outros posts. Ora isso é inadmissível, já que o Pd'B é lugar de amigos e não "sítio de escravatura ao serviço de outrem". Quem quer ser publicado no Pd'B tem de ser nosso amigo e neste caso "ser amigo" é comentar com periodicidade razoável o que aqui se vai deixando (não confundir com essa ficção de ser amigo de Facebook). Até porque se há coisa que não falta ao Pd'B é material para publicar. Podem crer que daria para vários anos, a cinco ou seis posts por dia...

2 - Exceptuam-se, como também já referimos, textos relacionados com as homenagens deste ano a Baltasar Lopes e Manuel Ferreira.

3 - Portanto, caro autor, conhecido ou desconhecido de nós, se quer ver os seus textos "cabo-verdianos" publicados neste blogue em 2018 (e teremos todo o prazer em fazê-lo), aproveite os próximos seis meses para se tornar "amigo do Pd'B", comentado as notícias, textos de diversa ordem, imagens, músicas, curiosidades e outros materiais que aqui vamos lançando. Nem precisam de ser todos, obviamente, mas em quantidade que faça com que saibamos que de facto gosta de se esticar na Praia de Bote, a olhar para o Monte Cara, pensando no Mindelo, em São Vicente e em Cabo Verde...


segunda-feira, 26 de junho de 2017

[3021] Cravaram mais uma vez uma navalha de ponta e mola no dorso de São Vicente

COMUNICADO
A EXCLUSÃO DE S. VICENTE DO CAMPUS DA UNIVERSIDADE DE CABO VERDE É UMA AFRONTA À ILHA E AO SEU POVO

O Universo universitário numa ilha

Notícia veiculada no jornal Expresso das Ilhas de 24 de Junho dá conta do lançamento da primeira pedra para a construção na cidade da Praia do novo Campus da Universidade Pública de Cabo Verde, um projecto estimado em cerca de 45 milhões de contos e totalmente financiado pelo governo da China.

No entanto, e conforme declarações de um dirigente do PAICV, este Campus era para ser integralmente construído em S. Vicente, com intenção de beneficiar desta vez o norte do país, porquanto os seus financiadores entendiam que o sul já tinha sido objecto de um conjunto significativo de investimentos patrocinados pela China. Deduz-se assim que esta nação asiática não é insensível a que se observe uma lógica de equilíbrio territorial e de justiça distributiva na sua ajuda ao nosso país, ainda que, naturalmente, não queira imiscuir-se nos seus problemas internos. E foi nesse sentido que uma equipa de técnicos chegou, de facto, a deslocar-se a S. Vicente para estudo da localização da infra-estrutura. Porém, ao arrepio de tudo, o empreendimento viria a ser depois anunciado para a cidade da Praia, ainda no governo do PAICV, de nada tendo valido um protesto escrito apresentado ao primeiro-ministro pela estrutura daquele partido em S. Vicente.

O assunto foi habilidosamente silenciado até confirmar-se agora que a ilha de S. Vicente e o norte do país foram, efectivamente, e mais uma vez, marginalizados, espezinhados e espoliados em benefício da mesma ilha e cidade, persistindo os governos na sua injusta e inconcebível política centralizadora e concentradora.

Mas importante é sublinhar que o actual governo confirmou ipsis verbis essa decisão, quando natural seria que a revertesse, em coerência com as promessas eleitorais proferidas alto e bom som pelo seu líder no chão de S. Vicente e graças às quais obteve uma votação expressiva na ilha e venceu o pleito eleitoral com maioria absoluta. É que retinem ainda nos ouvidos do povo de S. Vicente, em particular, e dos cabo-verdianos, em geral, as promessas de Ulisses Correia e Silva de reabilitar o espírito de solidariedade nacional, promover a correcção dos desequilíbrios regionais e contribuir para a coesão entre os cabo-verdianos, mediante uma efectiva descentralização do poder e uma mais equânime distribuição dos recursos.

Sobram assim razões para acusar o actual primeiro-ministro de um comportamento político traiçoeiro, ardiloso e manobrista, ultrapassando o seu antecessor nas artes do ludíbrio e revelando-se afinal de contas um fiel executante das políticas que repudiamos, agindo contra o país integral e ameaçando perigosamente a coesão nacional. Na verdade, não surpreende esta sonegação de mais um investimento previsto para S. Vicente e o norte do território, porquanto desde a posse deste governo se vêm acumulando evidências a desmentir claramente a propaganda eleitoral com que o respectivo partido alcançou o poder. Se não vejamos:

− A primeira medida do governo foi firmar um acordo com o PAICV para a aprovação do Estatuto Especial para a Praia, como se isso fosse a mais gritante prioridade nacional;

− Na sua primeira visita a S. Vicente, a actual ministra do Ordenamento do Território e Habitação afirmou que “Cabo Verde não é só São Vicente e que se tem de partilhar os recursos para que todos tenham um pedaço justo”, causando espanto e indignação entre o povo da ilha, já que as suas palavras se ajustavam com geométrica precisão à ilha de Santiago e à capital do país e não à ilha visitada;

− Tem havido constante anúncio e concretização de investimentos na ilha de Santiago e seus inúmeros municípios criados com pouco critério, ignorando-se o resto do país;

− O Orçamento do Estado para o ano corrente foi altamente penalizador para S. Vicente, relegando-a para um plano secundário no arquipélago, não obstante tratar-se da segunda ilha do país em população e contribuição para o PIB;

− Surpreendentemente, e para repúdio dos cabo-verdianos, têm surgido movimentos de um doentio bairrismo ligados a Santiago − “pró Praia e pró ilha de Santiago”− como se a sociedade civil daquela ilha é que tivesse razões de agravo e não o resto da nação cabo-verdiana.

Com efeito, este Campus Universitário, arrebatado a S. Vicente e ao norte do país por um conglomerado de interesses centralistas constantemente em acção, inscreve-se numa agenda cujo propósito é consolidar cada vez mais a lógica de uma visão continental erradamente aplicada a um país arquipelágico, e ainda por cima eivada das práticas viciosas que são típicas dos regimes africanos menos recomendáveis. E é nesta óptica que se tem de olhar para a promessa de um aeroporto internacional para Porto Novo/S. Antão, o que, a realizar-se, será um verdadeiro case study para os economistas mundiais, dado que a distância entre as duas infra-estruturas seria apenas de poucos minutos de voo. Não escapa a ninguém que a construção desta obra insensata e contra-natura num país pobre mais não é que um expediente capcioso para cativar o eleitorado daquela ilha e liquidar qualquer possibilidade de união e sinergia entre as duas ilhas vizinhas, para que, dividindo para reinar, sobreviva o centro hegemónico e dominador.

Refira-se que S. Vicente até poderia encarar de ânimo contido a repartição do Campus Universitário com a capital ou outras partes do território nacional, desde que tal se justificasse, embora não fosse excessivo que o investimento a contemplasse por inteiro, porque nem assim se atenuaria o saldo ruinoso da marginalização a que vem sendo votada pelo poder central. Mas este não é o primeiro caso de um grande investimento sub-repticiamente desviado para Santiago, com argumentos falaciosos de capitalidade e massa crítica. O mesmo aconteceu com o Millenium Challenge Account, em que muitos milhões foram enterrados na ilha de Santiago sem resultados visíveis mas com óbvio prejuízo para o país como um todo, cuja dívida por PIB, neste momento uma das maiores do mundo, se deve em grande parte a projectos aplicados naquela ilha.

Perante mais este despudorado atentado contra os interesses da ilha de S. Vicente e do norte do país, apenas se manifestou até agora o ex-deputado e militante do PAICV Alexandre Novais, porque tudo o resto se refugia no seu habitual e cobarde silêncio, mesmo aqueles que exercem mandatos em nome do povo da ilha, a começar pelo presidente da câmara, que devia ser o primeiro a vir a terreiro para honrar as prerrogativas do seu cargo em vez da fidelidade canina ao seu partido.

Como há poucos meses fizemos sentir em outro Comunicado, a sociedade civil mindelense está mergulhada num limbo de alienação e apatia cívica sem precedentes, que só se explica pela preponderância de valores individualistas e egoístas e pelo eclipse dos líderes políticos locais. E é em grande parte por esta postura que S. Vicente tem sido alvo de tratos de polé, marginalizada pelo poder político, desviada do destino que lhe desenharam os homens bons que no passado foram os construtores de uma sociedade local fecunda e promissora. Importa, pois, empreender uma acção introspectiva para descortinar os motivos por que a ilha de S. Vicente se tem abdicado da postura honrosa que devia assentar-lhe de harmonia com o seu passado, deixando-se tratar de modo tão acintosamente vexatório. E é nesse sentido que, inconformados com semelhante situação, os cidadãos abaixo assinados lançam um veemente apelo aos políticos e à sociedade civil de S. Vicente, para que acordem da sua letargia e pressionem o poder central no sentido de uma urgente reforma que descentralize o poder e desconcentre as estruturas do Estado, exigindo desde já a revogação da decisão de desviar da ilha mais um investimento que lhe é tão precioso como é para a região norte do país. 

Junho de 2017 
Pelo Grupo de Reflexão da Diáspora e por ordem alfabética: 

Arsénio Fermino de Pina 
Adriano Miranda Lima 
José Fortes Lopes 
Fátima Ramos Lopes 
Filomena Araújo Vieira 
Luíz Andrade Silva 
Miguel Arcangelo Silva 
Valdemar Pereira

[3020] Artigo de Novembro de 2016 de Arsénio de Pina sobre São Vicente

SERÁ QUE SONCENTE JÁ CABÁ NA NADA ?

Arsénio de Pina
Quem me conhece ou me lê sabe que não discuto pessoas; discuto ideias e venho fazendo críticas construtivas e apresentando propostas de alternativas à governação. Como diz o poeta sirio-libanês Adonis, o homem cria a sua identidade através da obra que produz, que não é fixa nem herdada. E a identidade é uma relação com o outro. O outro é um elemento constitutivo do eu. Como vou escrever particularmente sobre Soncente, o outro são os habitantes dessa ilha mártir, e mesmo das outras ilhas a que se retiraram direitos e meios para tchuntchar Santiago, mais propriamente Praia.

Lendo Brito Semedo, Jorge Fonseca, José Almada Dias, Rosário da Luz, Casimiro de Pina, Felisberto Vieira Lopes, José Fortes da Silva, Armindo Ferreira, Luíz Silva, Djopan (da Ribeira Grande), Adriano Miranda Lima, Alte Pinho, entre outros, patrícios que exprimem o que pensam com as suas cabeças, do que vêem, ouvem e lêem, portanto, não recadores de gente no poder, sem medo de gongons, nem de maus-olhados que os dêem na tamborona, não pertencendo, ademais, àqueles que se habituaram a obedecer, como se fossem animais domesticados, fico apreensivo com as informações e críticas que me fornecem, devido aos malefícios da obediência, um vício altamente pernicioso, referido recentemente pelo ex-Presidente da República Portuguesa, Ramalho Eanes, como causa dos problemas do seu país, referência que me fez recordar a caracterização que lhe deu, no século XIX, outro Ramalho, Ortigão, em As Farpas: “Toda a obediência é uma diminuição de valor e dignidade. Onde a liberdade existe não há nunca obediência, há acordo. A obediência é dos frutos do despotismo o mais venenoso; o homem que obedece avilta-se; o povo que o faz deprava-se e dissolve-se”.

Há largos anos, desde os meus tempos de estudante em Lisboa e Coimbra, que sou admirador do nosso filósofo do povo - como lhe chamou o Mestre Roque Gonçalves - João Cleofas Martins, vulgo Nhô Djunga Fotógrafo, que, em pleno regime fascista fez críticas contundentes ao regime e governantes, na Rádio Barlavento e através das suas famosas cartas, utilizando, como François Rabelais, um fabuloso vocabulário jocoso, por vezes escatológico, cujo significado escapou à PIDE, que até se ria com a faceta de paródia das mesmas. Quando a PIDE se apercebeu do alcance da crítica de Nhô Djunga, já era tarde e nada poude fazer porque se o prendessem, seguramente que toda a população mindelense sairia à rua em protesto, por ele já ser um ídolo do povo e ir-se-ia criar um mártir. Se Nhô Djunga tivesse vivido os anos que precederam e se seguiram à independência, tanto o PAIGC/CV como depois o MpD, teria muito provavelmente ido parar à choça no tempo da primeira república, porque não se teria coibido de criticar rudemente e ridicularizado os nossos líderes políticos que dedicaram muito mais tempo a pavonear-se, a vangloriar-se a si, à luta armada e aos respectivos partidos, do que a libertar o povo da canga que vinha suportando e o ajudasse a percorrer caminhos mais construtivos e participativos. Longe de mim a intenção de negar ou diminuir o valor as coisas positivas que se construíram, que não foram poucas, mas muito mais e melhor poderia ter sido feito se os líderes políticos se tivessem libertado da flatulência e perdido, ou não adquirido, a arrogância e intratabilidade que não lhes permitiram escutar as vozes de bom senso das pessoas das ilhas que conheciam melhor do que eles a realidade vivida no dia-a-dia, do meio ambiente, social e cultural. Nem quiseram ouvir os que se sacrificaram fora da luta armada na Guiné, como, por exemplo, um Jorge Querido, Lela Rodrigues, Felisberto V. Lopes, Jack Monteiro, para só citar os que conheci de perto e com quem lidei na clandestinidade. Faltou-lhes humildade e o sentido de solidariedade com os elementos não partidários da população, e incutiram nos seus militantes a pecha da obediência e do fundamentalismo partidário disfarçado em disciplina partidária, quando a disciplina só pode ser aceite quando consentida, implicando cumprimento de algo vindo de cima mas por consentimento ou acordo. Uma comunidade é democrática, como sabemos, quando o Estado, através do Governo, conta com a participação de todos os seus membros, o que não se fez.

Veja-se a sociedade mindelense, nos princípios do século passado, magistralmente retratada por Brito Semedo num excelente artigo sobre a Revista Claridade: “Tinha um operariado activo e consciente; uma burguesia esclarecida, ciente dos seus direitos e disposta a criar uma ampla frente para a defesa dos interesses da colónia; uma elite intelectual comprometida e politizada; uma sociedade civil de fácil mobilização à volta de causas.”

Em 1937, o Governo Central decidiu extinguir o Liceu Infante D. Henrique, porque para o Governo de Salazar era mais do que suficiente os pretos aprenderem a ler, escrever e contar. A reacção da população mindelense, e também das outras ilhas, foi de tal ordem que, doze dias depois, o Governo recuou e teve de reabrir o liceu com outro nome, Liceu Gil Eanes.

Não vou enumerar mais factos descritos pelo amigo Brito Semedo; recomendo vivamente a leitura desse artigo por ser um contributo importante para a avaliação da evolução social, política e cultural da Ilha do Porto Grande, que se degradou imenso após a independência por decisões incompreensíveis dos diferentes governantes que se instalaram na Praia, mais parecendo penação por crime horrendo.

Pergunto: cadê a gente activa, desaforada, briosa e empreendedora de Soncente? A sociedade mindelense vem aceitando passivamente todas as arbitrariedades cometidas, caladinha, ou segredando ao ouvido de amigos, olhando sempre em redor, intepide de mede, como dizia o imortal Djunga Fotógrafo, conformado e resignado com as várias promessas que nunca se cumprem e com os desvios de financiamentos destinados à ilha canalizados para Praia. Adeche!! Quem não chora não mama, lá diz o povo. Aqui, em vez de choro, deve haver é revolta, manifestação maciça da sociedade civil contra as arbitrariedades cometidas visando a reposição da vera justiça, justiça nossa que o desbocado Alcindo Amado, desesperado, classifica nos antípodas da lei. Obviamente, que  a gravidade do mal que atinge a ilha do Porto Grande já não se trata com paninhos mornos nem banhos de semicúpio. Os líderes políticos que teimam nas suas ideias só as modificam quando a população as contesta com força e se recusa a segui-las, vindo a adoptar novas de acordo com a vontade popular. Presumo não haver outra alternativa. 

Há sempre alternativas, quando as procuramos, e algumas têm sido propostas tanto por velhos como por jovens, que não são tão poucos, e querem participar, mas os líderes políticos não têm atendido a nenhuma, por mero fundamentalismo político: eles é que sabem, somente eles; eles é que são bons em tudo; muito raramente cometem asnidades, sem, no entanto, responsabilizarem ninguém do Governo por isso, remendando, aqui e acolá, com aumento de impostos pagos por nós-outros. 

Pelos artigos recentes, “Discurso Horripilante e sombrio”, de Jorge Fonseca, e do José Almada Dias, jovens da idade dos meus filhos, que poderiam estar a dar o seu contributo efectivo ao lado de outros da mesma geração, apercebe-se que não encontram espaço nem oportunidade para serem levados a sério, embora sejam jovens habilitados e capazes. Não são tidos em conta por, na opinião do Governo, pensarem com as suas cabeças e contestarem posições de que discordam.

Finalizo afirmando que não podemos permitir que Soncente cabá na nada. Há que exigir mudança imediata de política e isso faz-se com uma tomada colectiva firme de posição da sociedade civil e política da ilha dado que não se deve mendigar aquilo a que temos direito, exige-se com força e perseverança até ser ouvido.

Parede, Novembro de 2016                                                         
Arsénio Fermino de Pina
                                                                                                 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

[3019] É assim, mesmo assim e nada mais que assim...

Praia de Bote vai mostrar em breve dois textos alheios que tem em carteira. Contudo, pelo menos até final deste ano, não publicaremos nenhum outro que não seja nosso. Exceptuamos os relacionados com as homenagens a Manuel Ferreira e Baltasar Lopes que têm ou terão lugar em 2017.

Os materiais que nos enviam dão muito trabalho a preparar, devido à necessidade de cópia, reformatação, colocação, pesquisa ou edição de imagens e outros trabalhos que lhes conferem o aspecto limpo e acabado, quase de jornal electrónico, que todos aqueles que aqui vêm conhecem. No entanto, raramente recebemos a devida paga, que é barata mas mesmo assim não cumprida pela quase totalidade dos autores que a nós se dirigem para publicarmos os seus textos: apenas participar, conversar, comentar. Como já dissemos várias vezes, o Pd'B não é um serviço público...oficial. Podemos talvez considerá-lo oficioso... Digamos que é uma casa de amigos (e queremos que sejam sempre mais) entre si e do Mindelo, de São Vicente e de Cabo Verde. Não é lugar para cada um vir pedir publicação de textos e depois dar meia volta e nunca mais aparecer a não ser quando tem outro texto para lançar por nosso meio. 

Digamos então que amigos amigos, textos e trabalho forçado à parte. Até porque não nos falta matéria para aqui mostrar (antes pelo contrário) nem sarna para nos coçarmos…

Neste particular, até início de 2018 – e nessa altura apenas com autores que DE FACTO querem estar connosco e participar nesta praia. Nem que seja apenas para uma soneca debóxe d'bote enquanto o mar do Porto Grande até ela lança mil seixos e caroços de manga.

Entretanto, continuaremos, porque o Mindelo, São Vicente e Cabo Verde não param nunca.

Braça,

Djack

[3018] Cabo Verde, em 1937, no tempo do governador Amadeu Gomes de Figueiredo

[3017] "Mim é bô", novo disco de Tito Paris

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

[3016] "Ó Djosa, já bô podê morrê, lá lá lá lá lá!!!"

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[3015] Morna a Património Mundial da UNESCO

O já conhecido e modesto (e divulgado várias vezes neste blogue) contributo do Pd'B. Enfim, quem dá o que tem, a mais não é obrigado...

[3014] Portugal apoia Cabo Verde relativamente à elavação da morna Património Mundial da UNESCO

[3013] Cabo Verde preocupa-se com a qualidade do turismo religioso

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[3012] Cabo-verdiano em alto posto internacional

Diplomata cabo-verdiano José Luís de Jesus é reconduzido no Tribunal Internacional dos Direitos do Mar
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[3011] Concurso extraordinário do Pd'B

Praia de Bote dá uma cacho de uvas (à escolha, entre os três disponíveis) a quem descobrir o que são os campos vinculos de Lanzarote, Canárias, perto dos quais Cabo Verde obteve uma grandiosa vitória na IX edição da "Wine Run", ao conseguir os três primeiros lugares.
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

[3004] No centenário de Manuel Ferreira, os seus livros, por dentro e por fora - 1

Como prometido, iniciamos a divulgação da "roupagem" de livros de Manuel Ferreira, assim disponibilizados aos nossos amigos e visitantes. Seguir-se-ão outros - em alguns casos, a mesma obra, em edições diversas. É o que sucede hoje, com a 1.ª e 2.ª edições de "Hora di Bai", prémio "Ricardo Malheiros" (ver AQUI) de 1962. No final deste post, colocamos a par as duas dedicatórias à esposa, onde se podem verificar ligeiras alterações. Um escritor que se preze, nunca está satisfeito...
Repetimos: quem desejar ver as imagens em pormenor, deve clicar nelas.

"HORA DI BAI"
1.ª edição - 1962










"HORA DI BAI"
2.ª edição - 1963








As dedicatórias


1.ª edição - 1962
2.ª edição -1963